Reino Unido quer Brasil como parceiro-chave

Vince Cable, ministro de Negócios britânico, chega ao País para visita de quatro dias

Daniela Milanese CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Negligenciado no passado, o Brasil agora é considerado um parceiro-chave pelo novo governo do Reino Unido. Para aumentar as transações entre os dois países, o ministro de Negócios britânico, Vince Cable, chega ao País esta semana para uma visita de quatro dias. "Há forte ênfase do governo em desenvolver uma relação próxima com os países emergentes, e o Brasil é um parceiro importante", disse em entrevista à Agência Estado.

O ministro reconhece que o Reino Unido deu pouca atenção ao País nos últimos anos, tanto que o comércio entre as duas nações é restrito. "O Brasil é um dos poucos países do mundo que conseguiram crescimento com estabilidade e melhora da justiça social", avalia. Para ele, os dois principais candidatos à Presidência devem manter esse modelo se eleitos. Por isso, não se espera mudança no ambiente de negócios no País.

O Reino Unido saiu há pouco de uma recessão profunda e busca formas de estimular o crescimento econômico. O aumento dos negócios com países emergentes é um dos focos, tanto que o primeiro-ministro David Cameron já visitou a Índia e a Turquia. Os setores de tecnologia, defesa e energia são os que despertam mais interesse no Brasil. Diversas companhias britânicas já estão presentes na área de petróleo e gás, como BG, BP e Shell.

Nessa área, Vince Cable diz acreditar que o vazamento de petróleo provocado pela BP nos Estados Unidos não afetará o potencial para exploração em águas profundas. "Eu ficaria muito surpreso", afirmou, argumentando que o acidente da BP foi uma "questão específica" e que não vê o Brasil mudando as regras do setor.

Além disso, a tecnologia para a exploração já existe e precisa ser usada para atender à forte demanda por petróleo e gás. "(O vazamento da BP) foi um grande desastre ambiental, mas não vejo razões para mudar os fundamentos."

Delegação. Cable contou que está sendo acompanhado por diversas empresas não-tradicionais na visita ao Brasil, voltadas para inovação e alta tecnologia. No total, a delegação que chega amanhã conta com 25 companhias britânicas. O ministro passará por São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro e se encontrará com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge.

Os ministros irão liderar a reunião do Joint Economic and Trade Committee (Jetco), grupo formado para estimular a cooperação entre o Brasil e o Reino Unido. Outro objetivo com a visita é trocar experiências sobre a organização da Olimpíada, sediada por Londres em 2012 e pelo Rio de Janeiro em 2016.

Enquanto o Reino Unido busca crescimento econômico em novos negócios no exterior, internamente, diante das pressões da opinião pública. O novo governo decidiu impor um limite para a entrada de imigrantes de fora da União Europeia. Cable afirmou que não considera as duas políticas paradoxais.

"A população do Reino Unido está nervosa com o crescimento da imigração, e o governo colocou um limite para reafirmar que a situação está sob controle", afirmou o ministro.

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