Reino Unido resiste a corte de gastos

Reino Unido resiste a corte de gastos

País enfrenta o desafio de reduzir seu déficit, que está em 12% do Produto Interno Bruto, atrás apenas do déficit acumulado pela Grécia

Landon Thomas Jr., O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

THE NEW YORK TIMES / LONDRES

Como uma dona de casa usuária do Serviço Nacional de Saúde da Grã-Bretanha, Rachel Voller é um dos muitos milhões que se beneficiaram com o boom de gastos de uma década de governo Trabalhista. Seu salário cresceu mais de 20% em termos reais em 11 anos e ela espera um aumento de 2,5 % este ano.

No momento em que a Grã-Bretanha enfrenta o desafio de reduzir seu déficit de 12% do Produto Interno Bruto (PIB), atrás apenas do déficit da Grécia entre os países europeus, a sra. Voller, de 34 anos, está preparada para fazer o que for necessário para proteger seu pequeno pedaço do bolo.

"Trabalhamos duro e lutamos para fechar as contas, mas são eles que recebem os bônus", disse ela, enquanto se reunia com um pequeno grupo de colegas diante da sede do Royal Bank of Scotland em Londres, na segunda-feira, para espinafrar banqueiros de investimento e protestar preventivamente contra qualquer corte de empregos e salários pelo governo.

Mas a despeito do derretimento financeiro e da pior recessão desde a 2ª Guerra, a Grã-Bretanha está mostrando pouco apetite para usar a tesoura no Estado de bem-estar que, por algumas medidas, tornou-se o maior da Europa.

Os gastos do governo alcançam agora a metade do PIB, ultrapassando países como Portugal, Grécia e Espanha, todos estes já tentando implementar cortes.

Mas é o ritmo desse crescimento que particulariza o governo britânico. Os gastos aumentaram de 44% do PIB em 2007 para projetados 52% em 2010, o maior salto entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Quando entregou o orçamento do governo ao Parlamento, ontem, o ministro britânico das Finanças, Alistair Darling, fez o melhor que pôde para explicar a detentores de bônus céticos que o Partido Trabalhista estava comprometido em cortar pela metade o déficit em quatro anos com uma mistura de aumentos de impostos, economias com a eficiência do setor público e, mais crucial, a recuperação da economia.

Mas, com uma eleição nacional às portas e a diferença eleitoral entre Trabalhistas e Conservadores encolhendo, Darling ofereceu poucas garantias de que poria fim a mais de 10 anos de largueza governamental.

Ao contrário, ele disse que os gastos públicos aumentariam 2% em termos reais. E largou algumas palavras para enfatizar como esse investimento contínuo era importante para promover a recuperação econômica.

"Cortar gastos seria errado e perigoso e começar agora seria assumir um grande risco para os empregos e os futuros das pessoas", disse ele, alfinetando David Cameron, o líder dos Conservadores, que vem centrando sua campanha em cortes mais duros para reduzir o déficit.

Com sua dívida nacional em comparativamente baixos 60% do PIB, a Grã-Bretanha tem conseguido captar empréstimos facilmente para financiar o aumento de seus gastos ao longo dos anos e o ministro assinalou ontem que esses níveis altos de captação continuariam. / TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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