Tom Nicholson/REUTERS - 31/10/2021
Tom Nicholson/REUTERS - 31/10/2021

Reino Unido tem a maior inflação em 10 anos após aumento dos preços de energia e da gasolina

Índice de Preços ao Consumidor subiu 4,2% em outubro no acumulado em 12 meses, o que é mais um sinal de preocupação com a inflação global

Eshe Nelson, The New York Times

17 de novembro de 2021 | 17h56

A inflação no Reino Unido atingiu o nível mais alto em quase uma década em outubro, depois de o aumento dos preços da energia pesarem no bolso das famílias britânicas. 

O Índice de Preços ao Consumidor subiu 4,2% no acumulado dos últimos 12 meses, o maior aumento desde novembro de 2011, e acima dos 3,1% em setembro, informou o nesta quarta-feira o Escritório de Estatísticas Nacionais, órgão que calcula os indicadores econômicos oficiais do país. 

 

A inflação em 12 meses é mais do que o dobro da meta do Banco da Inglaterra de 2%, o que eleva as chances de a autoridade monetária agora aumentar as taxas de juros. O banco central inglês já sinalizou que pode tomar essa medida. Atualmente a taxa básica de juros do Reino Unido é de 0,1% ao ano.

O maior contribuidor para a inflação mais alta foi um aumento nos custos de energia, incluindo o preço do gás natural no atacado, que causou a paralisação de quase duas dúzias de fornecedores de energia e prejudicou o abastecimento da indústria

Outros grandes contribuidores da inflação alta foram os preços da gasolina, hotéis e restaurantes, disse a agência de estatísticas. O Banco da Inglaterra disse que espera que a inflação atinja o pico em cerca de 5% na primavera no Hemisfério Norte. “Este período de maior a inflação provavelmente será temporário”, disse Andrew Bailey, o governador (diretor) do banco central, este mês. Mas não há “nenhuma unidade fixa de tempo” para definir a duração desse período transitório, disse ele. 

O banco central disse que "seria necessário nos próximos meses" aumentar as taxas de juros se os dados econômicos se comportassem como o esperado pela autoridade monetária, especialmente se o fim do programa de licença remunerada do governo, adotado para proteger os empregos durante a pandemia, não resultasse em um grande aumento no desemprego. 

Nos três meses até setembro, a taxa de desemprego foi de 4,3%, 0,2 ponto percentual menor do que nos três meses até julho, e os primeiros dados da folha de pagamento indicavam que apenas um pequeno número de pessoas perdeu o emprego em outubro, quando o programa expirou .

À medida que a economia global emergiu das sucessivas quarentenas adotadas ao longo do ano passado, gargalos de oferta de matérias-primas, falta de trabalhadores e outros problemas interromperam as cadeias de abastecimento em todo o mundo. 

As autoridades agora estão alertando que os problemas de oferta e os preços mais altos vão durar mais do que o esperado inicialmente, aumentando a pressão sobre os bancos centrais para agir de forma mais agressiva e impedir que  a inflação saia de seu controle.

Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor saltou 6,2% em outubro, o aumento anual mais rápido desde 1990, e os preços subiram 4,1% na zona do euro no mês passado, o mais rápido em 13 anos. Na China, os preços que os atacadistas pagam aos produtores tiveram o maior aumento em 26 anos, em meio à alta dos preços das commodities e à escassez de energia.

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