Reino Unido teme perda de emprego

Segundo estudo da PwC, se a saída dos britânicos da União Europeia for aprovada no dia 23, quase 1 milhão de vagas podem ser extintas

Fernando Nakagawa, correspondente, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2016 | 05h00

Londres  - O Reino Unido pode perder quase 1 milhão de empregos, caso os eleitores votem pela saída do país da União Europeia. A previsão faz parte de um estudo da consultoria PwC. Parte desse efeito já estaria começando a ser observado. Levantamento da agência de empregos holandesa Randstad mostra que 17% das 340 empresas ouvidas no Reino Unido congelaram processos de contratação e 25% têm optado por preencher vagas com temporários diante da chance do chamado Brexit.

O debate eleitoral, que esquenta a cada dia, tem a economia como um dos pontos centrais. Projeções apontam para cenários muito divergentes no longo prazo: enquanto alguns estudos falam que a economia sofrerá forte contração, outros dizem que a atividade vai crescer. Apesar da divergência, até mesmo os economistas favoráveis ao Brexit reconhecem que, caso o “Sair” vença, a incerteza deve marcar a economia no curto prazo.

Essa incerteza prevalecerá enquanto Londres estiver em negociação para repactuar acordos comerciais, especialmente com a própria UE. Nesse período, o desemprego pode ser uma consequência mais visível, alerta a PwC. Estudo feito a pedido da Confederação da Indústria Britânica – entidade contrária ao Brexit – diz que o mercado de trabalho pode perder entre 550 mil e 950 mil empregos até 2020. Um terço dos novos desempregados teria até 34 anos.

Com quase meio milhão de empregos fechados, o quadro mais otimista aconteceria caso britânicos consigam chegar a um acordo de livre comércio com a UE e acabem com as grandes incertezas sobre o tema em até cinco anos.

Já o quadro pessimista, com quase 1 milhão de postos de trabalho a menos, seria o desdobramento se as negociações não permitirem o livre acesso à UE e, assim, exportadores britânicos teriam de seguir as regras genéricas da Organização Mundial do Comércio.

“A redução da produção e da atividade associada à potencial saída do Reino Unido da União Europeia resultaria em um impacto negativo para a demanda e o investimento, o que levaria a uma redução do emprego”, cita o estudo da PwC. Economistas da consultoria dizem que, no curto prazo, o nível do emprego da economia britânica poderia cair entre 1,7% e 2,9% em relação ao cenário sem mudança.

Além do aumento do desemprego, a PwC prevê mudança na dinâmica do mercado de trabalho. “Haveria particularmente impacto em setores que são fortemente dependentes de imigrantes de baixa qualificação, como agricultura, alimentação e hotelaria”, cita o estudo.

Com essa queda da oferta de mão de obra, é possível que trabalhadores de outros segmentos sejam incentivados a mudar de setor ou regiões geográficas a depender do nível de atividade da economia.

Congelado. Parte desse efeito já estaria acontecendo. Um estudo da agência de empregos holandesa Randstad ouviu 340 profissionais de recursos humanos de empresas britânicas. Dos entrevistados, 17% dizem que os empregadores decidiram congelar novas vagas à espera da votação no dia 23 e 25% têm preferido completar postos com empregados temporários.

“É comum ver esse tipo de hesitação sobre a contratação em períodos com calendário político. O plebiscito sobre a independência da Escócia teve reflexo semelhante na tomada de decisões e o mercado de trabalho voltou a fluir normalmente depois das urnas”, diz o diretor da Randstad UK, Alison Starmer.

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