Relação bilateral da Argentina marca Cúpula do Mercosul

A XXXXIV Cúpula do Mercosul, que se inicia hoje em Montevidéu e culminará amanhã, com a reunião dos presidentes dos sócios, corre o risco de ser ofuscada pelos problemas bilaterais entre a Argentina-Uruguai e Argentina-Estados Unidos-Venezuela. Depois de ter sido, no mínimo, deselegante com o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, durante sua posse no último dia 10, em Buenos Aires, a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, voltará a se encontrar com o uruguaio, amanhã, quando receberá dele a presidência pro-tempore do Mercosul.Em seu discurso de posse, no Congresso argentino, Cristina se dirigiu à Vázquez para agradecer sua presença, mas de repente, o tom que parecia ser amável mudou e a presidente argentina acusou o colega uruguaio pelo conflito vivido pelos dois países há quase três anos em torno da construção fábrica de celulose Botnia. Agora, em solo uruguaio, Cristina voltará a se encontrar com Vázquez em clima de alta tensão, não só pelo conflito das "papeleiras", mas pelo caso da maleta de dólares, que atormentou sua primeira semana de governo.Será a primeira cúpula de Cristina como presidente e, possivelmente, o primeiro encontro dela com o venezuelano Hugo Chávez, depois do escândalo internacional envolvendo os famosos US$ 800 mil que o empresário Guido Antonini Wilson tentou entrar na Argentina, em agosto passado, sem declarar. O FBI prendeu três venezuelanos e um uruguaio, em Miami, que confessaram que o dinheiro seria para a campanha de Cristina. A prisão ocorreu um dia depois da posse de Cristina e durante toda a semana passada houve uma forte reação da presidente contra o governo dos Estados Unidos, acusado por ela de ter feito uma "operação lixão". Cristina defendeu Chávez, negou qualquer envolvimento com o dinheiro e atacou duramente os Estados Unidos.Estados UnidosAlém dos conflitos bilaterais, outro condimento promete apimentar o evento: a reivindicação do Uruguai de obter uma autorização do Mercosul para fazer um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. A chancelaria uruguaia estaria pensando em pedir formalmente uma alteração no seu status, de sócio para associado, do Mercosul para poder realizar o acordo com os Estados Unidos, revelou um negociador argentino.O clima é tão pouco propício que não haverá nem o tradicional jantar entre os presidentes que costuma ocorrer, a cada seis meses, na noite da reunião de cúpula. A maioria dos presidentes desembarcará e embarcará na própria terça-feira.

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