Relação com Argentina não será afetada, diz Márcio Fortes

O ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Fortes de Almeida, defendeu hoje que a relação entre os dirigentes brasileiros e argentinos é "forte" e não deve ser afetada pelas recentes declarações do ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa. Segundo Fortes, os dirigentes podem "verbalizar as suas preocupações", mas isso "não traz prejuízos às relações institucionais". "É parte do jogo político", resumiu ele, no Palácio do Planalto. "Acima de tudo está a relação positiva nas áreas econômica e política", completou. Fortes lembrou ainda que o governo brasileiro vem prestando intensa colaboração à Argentina. Além dos acordos setoriais que, a rigor, limitam as exportações brasileiras para aquele mercado, o governo manteve a sua linha de US$ 1 bilhão para o financiamento de obras de infra-estrutura na Argentina, realizadas por empresas brasileiras, que passa pelo Convênio de Crédito Recíproco (CCR). Recentemente, foi aprovada a concessão de US$ 250 milhões, dessa linha, para a construção de um gasoduto pela TGS. Manutenção do espaço conquistado Márcio Fortes afirmou que o governo brasileiro sempre está disposto a apoiar a Argentina da melhor maneira, desde que isso não signifique a perda do espaço conquistado pelos produtos brasileiros no mercado argentino para produtos importados de outros países. Fortes afirmou que essa posição, que prevaleceu nas negociações entre os setores têxtil, de eletrodomésticos e de lácteos, deverá ser mantida nas conversas marcadas para o próximo dia 17, em Buenos Aires. Nessa rodada da Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral serão discutidas as queixas do setor calçadista argentino, mas também as dos setores brasileiros de vinhos, cebola, farinha de trigo misturada ao sal e arroz. "Nós colaboramos com acordos de preços, com autolimitação de embarques brasileiros, com a complementação industrial", afirmou Fortes, no Palácio do Planalto. "Nunca deixamos de colaborar, e o lado argentino reconhece isso. Fazemos tudo o que quiserem, desde que a nossa fatia de mercado seja ocupada pela fabricação argentina e não pelos produtos de outros países", completou. Para Fortes, boa parte do alarde feito contra o ingresso de produtos brasileiros na Argentina tem como origem os importadores que perderam fatias de mercado, e não a indústria local. Fórmula do bode O ministro interino informou também que na discussão das pendências no comércio bilateral, no próximo dia 17, os negociadores brasileiros mais uma vez vão se valer da "fórmula do bode". Trata-se de um cálculo que os representantes do Brasil se acostumaram a usar nas discussões, inicialmente sempre tensas, sobre o comércio bilateral. De forma geral, essa fórmula corresponde à média das reivindicações dos setores privados de ambos os lados. No Palácio do Planalto, Fortes afirmou que a "fórmula do bode" foi aplicada com êxito nos casos dos acordos privados dos setores de eletrodomésticos, têxteis e lácteos, e voltará a ser usada no caso dos calçados. Fortes informou que foi encomendado a um instituto argentino de estatísticas um estudo sobre o consumo médio de calçados pela população local, de forma a acabar de vez com hipóteses infundadas sobre a suposta participação excessiva do Brasil nesse mercado. A expectativa é que esse estudo esteja pronto para a reunião do dia 17.

Agencia Estado,

03 Maio 2005 | 13h35

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