Relação dívida externa/PIB começa a mudar, diz economista

O economista Fábio Giambiagi acredita que finalmente o Brasil está entrando num período de mudança da relação dívida/PIB, no que se refere ao endividamento externo, depois de amargar nove anos de crescimento. "Nós tivemos nove anos consecutivos de aumento dessa relação - os oito anos do governo Fernando Henrique e, talvez, um pouquinho de aumento ainda neste ano. No ano que vem poderemos ficar no zero a zero, um pouquinho acima, um pouquinho abaixo", previu Giambiagi ao Conta Corrente, da Globo News. "A partir de 2005, aí sim, num contexto de juros razoáveis e crescimento já na faixa de 4%, começará a cair."Fábio Giambiagi sustenta que o Brasil deve, sim, chegar a um novo acordo com o FMI. Porém, esse novo acordo não implicaria novos empréstimos, mas apenas uma mudança na agenda de pagamentos do País. "O entendimento ideal com o FMI seria um acordo de reescalonamento de vencimentos: nós temos papagaios no valor de trinta e poucos bilhões, a pagar num período de 3 ou 4 anos, começando a partir do ano que vem", contabilizou. "Se a gente pudesse reescalonar - não receber dinheiro novo, mas simplesmente ao invés de pagar em 3 ou 4 anos, pagar em 5 ou 6 anos seria o ideal. Seria um acordo light."Trajetória da SelicO economista afirmou que, apesar de alguns "soluços", a inflação já não preocupa tanto e haveria espaço para que a taxa básica de juros continue a trajetória de queda nos próximos meses. "Ainda teremos uma trajetória de quedas boas da Selic até o final do ano", salientou o economista. "Se indicar algum ressurgimento do problema da inflação mensal, talvez o Banco Central tenha um pouco mais de cautela nas próximas reduções; se for apenas uma barriguinha da inflação, o movimento da trajetória de mais 150 pontos na próxima reunião, 100 na seguinte e 50 na de dezembro, fechando o ano em 17; se a inflação de setembro ou outubro vier mais alta do que o esperado, talvez feche em 18%."De volta ao passadoGiambiagi avalia que essa tendência de queda nos juros remeteria o País a uma situação semelhante àquela existente antes da crise Argentina, somada à crise energética, no ano 2000. "Se a gente colocar em perspectiva, estaríamos falando num juro nominal, de janeiro a dezembro, dando alguma coisa como 15 ou 15,5%", previu o economista. "Isto significa que se a inflação for de 5,5% daria um juro real de 9%, com movimento real de queda", salientou. "Há uma perspectiva de um juro menor em 2005. A gente estaria retomando aquela perspectiva que se tinha em 2000 e que foi dramática e drasticamente interrompida pela combinação de crise Argentina e crise energética naquele ano fatídico."

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