Relação dívida pública e PIB deve cair rapidamente em 2010

Expectativa é de estudo inédito do BNDES, que aponta crescimento esperado do PIB como principal causa

Adriana Chiarini, da Agência Estado ,

15 Janeiro 2010 | 17h17

RIO - A dívida pública do setor público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) deve cair rapidamente em 2010, de acordo com estudo da economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Beatriz Barbosa Meirelles, que será divulgado em breve pela instituição pela série "Visão do Desenvolvimento". O motivo do otimismo para a dívida é o crescimento esperado do PIB.

 

Ela disse à Agência Estado projetar influência de queda de 1,5 ponto porcentual do PIB na dívida só pelo efeito da atividade econômica no ano que vem. Ajudaria na redução da dívida uma possível volta de variações positivas no IGP-DI, índice usado pelo Banco Central como deflator no cálculo do PIB valorizado, que é o utilizado para o indicador dívida/PIB.

 

Nos 12 meses até setembro passado, a deflação do IGP-DI na relação dívida/PIB influiu para um aumento da relação dívida/PIB em 2,3 pontos porcentuais. A deflação tem o efeito de reduzir o PIB valorizado e quanto menor o PIB, maior a variação da relação dívida/PIB.

 

No texto do estudo, a economista estudou os fatores que levaram a relação dívida/PIB a crescer 4,8 pontos porcentuais do PIB entre setembro de 2008 e setembro de 2009. Embora reconheça que a redução do superávit primário foi significativa, ela destaca o papel do recuo de ritmo da economia associado à deflação do IGP-DI. Deflação, nesse caso, significa um PIB valorizado menor.

 

De acordo com ela, de 2002 a 2008, o PIB influiu, pela média anual, reduzindo a variação dívida/PIB em 5,3 pontos porcentuais. No entanto, considerando o período de 12 meses até outubro do ano passado, o efeito do PIB foi de aumento da dívida/PIB em 0,4 pontos porcentuais. Isso representa uma diferença de 5,7 pontos porcentuais. Por outro lado, o déficit nominal no período passou de 3,4% do PIB para 4,2% do PIB. A diferença de 0,8 p.p. do PIB entre os dois períodos é significativamente menor que a de 5,7 p.p. referente ao PIB.

 

"O fator mais importante para o aumento da dívida/PIB foi o PIB. O déficit nominal não está muito diferente dos níveis históricos, ainda mais considerando que no período de 1998 e 2002 ele foi em média de 4,0%", disse Beatriz.

 

A nota do BC para a imprensa sobre política fiscal confirma a tendência mostrada no estudo de Beatriz. O efeito do PIB na relação dívida/PIB foi de redução de 6,2 p.p. em 2007 e de 4,0 p.p. em 2008. No ano passado, porém, até setembro, o efeito era de aumento em 0,5 ponto. Depois foi melhorando. A influência do PIB passou para uma alta relativa da dívida de 0,3 p.p. em outubro e depois fica nula em novembro. Se o PIB realmente confirmar as previsões de crescimento e não houver deflação no IGP-DI, o efeito será de redução na dívida relativa.

Mais conteúdo sobre:
PIB, crescimento, BNDES, IGP-DI

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.