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Louise Barsi explica como viver de dividendos seguindo o Jeito Barsi de investir

Relação dívida/PIB bate recorde e chega a 56%

A dívida líquida do setor público atingiu, em maio, o ponto mais alto de toda a sua história. A dívida bateu em R$ 708,454 bilhões, o equivalente a 56% do Produto Interno Bruto (PIB). E não vai ficar por aí. Segundo o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, a relação dívida/PIB poderá, em junho, ultrapassar a 58% do PIB devido, principalmente, à desvalorização cambial, que até ontem já acumulava 13% no mês.De abril para maio, também por causa da depreciação do real frente ao dólar, a dívida cresceu R$ 23,8 bilhões. Lopes disse que o efeito-câmbio provocou a elevação em R$ 20,6 bilhões. O aumento restante foi por conta dos juros. O chefe de Depec explicou que a variação brusca do câmbio tem forte impacto sobre a dívida, porque quase 40% da dívida total do País é atrelada à moeda estrangeira. Nesses 40% está computada a dívida externa, que hoje representa 11% do total. Sobre a dívida interna o câmbio atinge 28% do total.Mesmo considerando a trajetória de alta, que tem assustado os investidores estrangeiros e contribuído para a turbulência do mercado interno, o chefe do Depec disse que a dívida líquida do setor público, no atual estágio, não é explosiva. Ele ponderou que o seu crescimento recente deve-se quase que exclusivamente à desvalorização do real. "Não é razoável supor que essa situação vá perdurar para sempre", disse Lopes. Ele argumentou que no ano passado ocorreu a mesma coisa, ou seja, uma súbita depreciação do real, que depois se reverteu e provocou o abatimento da dívida.Fazendo coro com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, Lopes disse que os investidores estrangeiros sabem diferenciar uma trajetória de dívida explosiva do que está ocorrendo hoje com a elevação da dívida brasileira. "Parte do crescimento da dívida se deve ao reconhecimento de esqueletos (dívidas pré-existentes, mas não reconhecidas) que tiramos do armário", afirmou. Segundo Lopes esses "esqueletos" que vêm sendo incorporados ao estoque da dívida desde 1995 somam R$ 103,206 bilhões. "Não é pouca coisa", disse, explicando que sobre eles também incidem juros, não considerados nessa simples soma.Para o chefe do Depec, o cenário para a dívida não é assustador. Muito pelo contrário. Procurando tranqüilizar o mercado, Lopes disse que, para estabilizar a dívida no atual patamar, basta o governo fazer um superávit primário de cerca de 2%. Isso, diz, considerando uma taxa de câmbio real constante, onde se tira a inflação interna e adiciona a externa, e não ?essa taxa sobrevalorizada de agora?. Para que a trajetória da dívida seja descendente em relação ao PIB o governo precisa continuar gerando superávits primários da magnitude atual, ou seja, entre 3,5% a 4% do PIB. Com isso, como já garantiu antes o ministro Pedro Malan, a relação dívida/PIB estará em 46% em 2010.

Agencia Estado,

27 de junho de 2002 | 15h44

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