Relação dívida/PIB continuará em queda, afirma Augustin

Segundo secretário do Tesouro, tendência mostra solidez dos fundamentos da economia do Brasil

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

17 de dezembro de 2007 | 13h22

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, assegurou, em conferência para investidores nesta segunda-feira, 17, que a tendência de queda da relação dívida líquida do setor público sobre o Produto Interno Bruto (PIB) será mantida nos próximos anos. Segundo ele, essa tendência mostra solidez dos fundamentos da economia brasileira, proporcionada por uma política fiscal que tem permitido superávits primários das contas públicas significativos. Ele destacou que o superávit em 12 meses até outubro está em 4,23% do PIB. "Estamos trabalhando com um política fiscal sólida, que vem produzindo efeito de diminuição da dívida líquida e do déficit nominal das contas públicas", afirmou Augustin na conferência organizada pelo banco BNP Paribas. De acordo com ele, nos próximos anos as contas públicas não terão mais déficit nominal. O secretário destacou ainda que o País vem alcançando essa melhoria fiscal com o crescimento do nível de investimentos públicos. Segundo ele, os investimentos públicos do governo federal registraram aumento de 28%. Ele acrescentou que esse perfil das despesas é mais adequado com maior participação dos investimentos públicos. Augustin abriu a conferência afirmando que a economia brasileira vem apresentando um processo de crescimento significativo e sustentado. "Estamos com a economia no momento de crescimento sustentado", disse. Também destacou que o Brasil conseguiu eliminar as restrições externas e que as reservas internacionais brasileiras estão próximas de atingir o valor de toda a dívida externa pública e privada.  Dívida total Já o secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, afirmou que a dívida mobiliária total, ou seja que inclui as dívidas interna e externa, deve fechar este ano com 59% de participação de papéis com rentabilidade prefixada ou atrelada a índices de preços. Ele lembrou que em 2002 esses dois tipos de papéis representavam menos de 10% da dívida. Outro destaque de melhora de perfil da dívida pública em 2007 é o prazo médio, que na dívida total deve terminar o ano com três meses a mais que em 2006, e na dívida interna, com cinco meses a mais. Valle afirmou ainda que a participação da dívida de curto prazo, ou seja, com vencimento em até 12 meses, deve fechar o ano cinco pontos porcentuais menor que 2006, representando 28% no total da dívida. "Apesar da elevada volatilidade no mercado nos últimos meses, todas as metas do PAF em 2007 serão cumpridas. Os resultados são bastante positivos", afirmou Valle.  Ele destacou também que a melhora no perfil da dívida reduziu a volatilidade desse indicador. Isso é percebido na comparação de testes de estresse em 2002 e 2007. Naquele ano, em uma situação de alta volatilidade, a dívida subiria 16,5% do PIB e, hoje, reduziria em 1,3% do PIB.Valle destacou também que a melhora no perfil da dívida dá mais flexibilidade para o Tesouro gerenciar a dívida e focar mais na redução de custos. "A necessidade de financiamento vem se reduzindo ano após ano. Hoje o Tesouro não precisa ir a mercado pagando custo em desacordo com os bons fundamentos da economia", disse.  Investidores Valle destacou também a ampliação da base de investidores na dívida pública brasileira. Segundo ele, isso permitiu que houvesse redução na volatilidade da dívida brasileira em relação ao ano passado, enquanto no mercado de outros países o movimento foi inverso. Ele observou que essa gama maior de investidores também dá mais estabilidade ao mercado secundário de títulos.

Tudo o que sabemos sobre:
Dívida

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.