Relação dívida/PIB deve fechar maio em 41,2%, diz Altamir

Em abril, taxa era de 42,2%; projeção para maio considera câmbio a R$ 1,84 

Adriana Fernandes e Fabio Graner, da Agência Estado,

27 de maio de 2010 | 11h46

O chefe do departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, informou há pouco que a relação dívida líquida/PIB deve fechar maio em 41,2%. Em abril, a taxa era de 42,2%. A projeção para maio considera taxa de câmbio de R$ 1,84.

Altamir destacou que o resultado das contas públicas de abril foi fortemente influenciado pelo crescimento das receitas e também pela contribuição positiva dos governos regionais. "Isso resultou em um superávit primário bastante positivo", disse Altamir, lembrando que o superávit primário do setor público, de R$ 19,789 bilhões, foi o segundo melhor da história para o mês, perdendo somente para abril de 2008.

Segundo Altamir, a tendência é de o resultado primário acumulado em 12 meses seguir melhorando ao longo do ano, convergindo para a meta de 3,3% do PIB, puxado principalmente pelo lado das receitas, que crescem mais rapidamente do que as despesas. Ele destacou que a alta das receitas reflete a combinação de melhora na atividade econômica e de fim das desonerações fiscais. "A receita cresce bem mais que o dispêndio", disse.

Altamir destacou também a contribuição dos governos regionais para o resultado primário de abril. Estados e Municípios registraram saldo positivo, no mês passado, de R$ 3,611 bilhões, o melhor resultado para o mês desde 2007. Os governos estaduais também tiveram o melhor resultado de meses de abril desde 2007, com R$ 3,346 bilhões de superávit e os municípios tiveram o melhor resultado de meses de abril da série iniciada em dezembro 2001, de R$ 265 milhões.

Ele informou ainda que o superávit nominal de R$ 5,304 bilhões verificado em abril foi o melhor para o mês desde abril de 2007, quando ficou em R$ 7,066 bilhões. 

Inflação pressionou encargos de juros da dívida pública em abril, diz Altamir

O aumento da inflação pressionou os encargos de juros da dívida pública em abril. A despeito da taxa Selic em 12 meses até abril ter caído, as despesas com juros aumentaram para R$ 14,485 bilhões no mês. Em abril do ano passado, as despesas com juros foram de R$ 12,890 bilhões.

O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, explicou que esse cenário é explicado pelo fato de que 25,8% da dívida é hoje corrigida pelo IPCA, que subiu para 0,57% em abril deste ano, ante 0,48% no mesmo mês de 2009. Por outro lado, a taxa de juros acumulada em 12 meses até abril deste ano foi de 8,8%. O valor é bem inferior aos 12,7% acumulados em abril do ano passado.

O IGP-M, que corrige 4,7% da dívida, também ficou mais salgado, contribuindo para o aumento dos encargos com juros ( - 0,15% em abril de 2009, ante 0,77% em abril deste ano). "Apesar da taxa de juros menor, a aceleração dos preços pressionou os encargos com juros", disse o chefe do Depec.

Tudo o que sabemos sobre:
dívidapibaltamir

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.