Relação econômica entre Chávez e Kirchner rende bons frutos

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, tem boas justificativas para apoiar o "amigo Chávez" - como ele se refere ao presidente venezuelano - em sua investida contra os Estados Unidos em solo argentino. A relação entre ambos tem beneficiado a Argentina economicamente. Sem aparecer, Kirchner dará toda infra-estrutura e logística ao ato de Chávez contra George W. Bush, previsto para a próxima sexta-feira, paralelamente aos encontros que o norte-americano terá com o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o uruguaio Tabaré Vázquez.O vínculo entre Chávez e Kirchner tem um saldo econômico positivo para a Argentina, o que deixa Chávez cômodo para fazer pedidos extravagantes a Kirchner como, por exemplo, realizar um ato contra Bush em um campo de futebol de Buenos Aires. A visita de Chávez à Argentina é a coroação de três anos de relações políticas, comerciais e econômicas com Kirchner. Os petrodólares venezuelanos salvaram, recentemente, uma das maiores companhias de laticínios do país, a Sancor, e permitiram ao Estado argentino voltar ao mercado de combustíveis, de onde esteve excluído desde a venda da YPF, no início dos anos 90. Sem contar a compra por parte da Venezuela de mais de US$ 5 bilhões em bônus do Tesouro argentino.Além de reunir-se com Kirchner e de encabeçar um ato que prevê a participação de entre 30 mil a 40 mil pessoas, Chávez vai visitar uma das plantas da Sancor, empresa que receberá um empréstimo de US$ 135 milhões de petrodólares. Desse montante, US$ 80 milhões serão utilizados para o pagamento de dívida e outros US$ 55 milhões para capital de trabalho. O crédito será pago em 12 anos, com 68 mil toneladas de leite. Em um acordo adicional, o qual está previsto para ser assinado durante essa visita, Chávez pretende comprar 180 mil toneladas de leite em pó, o que vai poderia garantir à Sancor uma entrada de divisas no valor de US$ 380 milhões. Segundo fontes da diplomacia venezuelana, Chávez quer ampliar também o acordo de compras de máquinas agrícolas e de soja.Durante a visita de Hugo Chávez à Argentina, o que poderá provocar maiores inquietações àqueles mais suscetíveis aos movimentos do venezuelano é a proposta que levará em sua bagagem: criar uma espécie de "Opep" (organização dos países exportadores de petróleo) do gás entre Bolívia-Venezuela e Argentina. O objetivo de Chávez é de que estes três países controlem o preço do gás na região. A cooperação na área energética entre a Argentina e a Venezuela vem sendo ampliada nos últimos anos.Primeiro, a Venezuela trocou óleo combustível e óleo diesel por vacas leiteiras e máquinas agrícolas argentinas. Agora, recentemente, fizeram um acordo para comprar a destilaria de Rhasa, por US$ 31,3 milhões. As estatais PdVSA e Enarsa já alugam a destilaria, que entrará na agenda de visitas de Chávez. O que parece estar fora da agenda de Chávez é o megaprojeto do gasoduto do Sul, uma bandeira levantada pelo venezuelano, há um ano, como símbolo da integração regional. Orçado em US$ 20 bilhões, o projeto foi bem recebido por Kirchner, mas parece estar engavetado.O comércio bilateral aumentou de US$ 171,5 milhões, em 2003, quando Kirchner tomou posse, para US$ 483,03 milhões em 2006. A Câmara de Comércio Argentino-Venezuelana tinha somente 15 sócias em 2003 e agora possui 65.

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