Relação entre etanol e gasolina cai em São Paulo

Preços do álcool combustível continuam competitivos na maioria dos postos da cidade

O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h10

A relação entre os preços do etanol e da gasolina diminuiu ainda mais na segunda semana de agosto na capital paulista, de acordo com pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Os preços do álcool combustível seguem competitivos na maioria dos postos da cidade.

Na segunda semana do mês, essa defasagem atingiu 66,33%, depois de uma taxa de 66,53% na semana anterior. A taxa vem se mantendo abaixo de 70% desde a primeira semana de maio, quando começou a safra de cana-de-açúcar. Tradicionalmente a colheita ocorre em abril, mas neste ano foi atrasada, por causa do excesso de chuvas.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do motor a etanol é de 70% do poder dos motores a gasolina. Entre 70% e 70,5%, é indiferente o uso de gasolina ou etanol.

Ao comentar a aceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) na segunda quadrissemana deste mês (últimos 30 dias até 15 de agosto) para 0,21%, ante 0,16% na leitura passada, o economista e coordenador do indicador, Rafael da Costa Lima, disse que os preços do etanol diminuíram o ritmo de queda no período (de -1,34% para -1,07%), mas ainda têm espaço para continuar em baixa, por causa do atraso na colheita de cana. Já a gasolina no âmbito do IPC-Fipe cedeu 0,47%, ante 0,34% na primeira leitura do mês.

O presidente interino da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, disse ontem que a situação de oferta e demanda de etanol será analisada durante reunião no dia 29 de agosto em Brasília, com a presença de representantes da indústria de etanol, do governo e das distribuidoras.

Rodrigues avalia que o bom andamento da colheita de cana nas últimas semanas não é suficiente para dizer se há etanol ou não para que a mistura de anidro na gasolina, atualmente de 20%, aumente para 25%. Segundo ele, "existem vários fatores envolvidos, como o andamento da própria demanda de hidratado, que compete com a gasolina".

Atualmente, o etanol hidratado é competitivo apenas nos postos de São Paulo, Goiás e Mato Grosso. Pádua disse que não sabe de onde o ministro das Minas e Energia, Edilson Lobão, tirou dados para afirmar que o aumento do anidro para 25% pode ocorrer ainda este ano. / MARIA REGINA SILVA E EDUARDO MAGOSSI

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