Relação médico-paciente prejudicada

O presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Eleuses Vieira de Paiva, denuncia: uma empresa de planos de saúde propôs que os médicos fossem remunerados segundo o número de exames que pedissem. Paiva não revelou qual é a empresa, dizendo apenas que ela atua no interior de São Paulo.De acordo com a proposta, haveria quatro categorias de remuneração da consulta médica. Quanto maior o número de exames solicitados, menor o valor pago pela empresa ao médico. "A redução seria de até 60%", conta Paiva, que levou o caso ao Conselho Federal de Medicina (CFM). Pressão desonestaA entidade considerou a proposta inadmissível por ferir a ética médica. A empresa recuou. Os médicos apontam outra maneira de as empresas forçarem a limitação do número de exames solicitados aos pacientes: o descredenciamento para quem não segue as orientações. Entre a categoria, circula a informação de que há uma "lista negra" de médicos que não colaboram com as restrições exigidas pelos planos. Depois de deixar uma empresa, esses profissionais têm dificuldade para se credenciar em outra. Prejuízos para os pacientesPara Florisval Meinão, diretor de defesa profissional da Associação Paulista de Medicina (APM), a instabilidade da rede credenciada é problema grave. O tratamento do paciente que está sob cuidados de um médico há muito tempo fica comprometido quando o profissional é descredenciado. Médico novo significa recomeço de diagnóstico e tratamento. Entidades médicas têm debatido propostas para aprimorar a legislação de planos de saúde, regulamentando a relação entre médicos e empresas. Em setembro, a AMB lança uma campanha nacional contra os abusos cometidos pelos planos de saúde.

Agencia Estado,

28 de agosto de 2000 | 16h34

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