Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Relator prevê aprovação com 'folga' da PEC do Teto na Câmara

Darcísio Perondi diz que controle de votos do governo trabalhará com uma 'gordura' para chegar a até 390 votos

Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2016 | 11h05

Faltando poucas horas para a votação, em primeiro turno, do teto do gasto, o relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), prevê aprovação da matéria com folga pelo Plenário da Câmara dos Deputados. Mapeamento realizado com as lideranças mostra que o governo já tem 365 votos favoráveis à medida. Em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real da Agência Estado, o peemedebista disse que o governo trabalhará com uma "gordura", para chegar a até 390 votos.

"Nosso controle de votos se intensificou, já passamos de 365 votos, vamos fechar hoje em 380, 390 votos, com margem", disse Perondi, que chegou cedo a seu gabinete no quinto andar do anexo da Câmara para comandar o esforço concentrado de última hora para virar o voto de indecisos. "Estamos muito seguros da aprovação", disse o relator.

Perondi contou que o presidente Michel Temer, que ontem ligou para mais de 20 deputados ainda sem opinião formada sobre a PEC, vai continuar hoje nesse corpo-a-corpo para garantir a aprovação da proposta. Há cerca de um mês, o governo tem trabalhado para conseguir os votos, movimento que se intensificou nas últimas semanas com jantares e cafés da manhã. Com um mapeamento em mãos, a equipe de Perondi tem feito um "pente-fino" dos votos em conjunto com a liderança do governo desde a última sexta-feira (7).

"Se alguém está indeciso, líder vai dizer por que não quer votar. Quer mais explicação sobre o piso da saúde? Eu ou o consultor vai sentar com o parlamentar e explicar. Tem uma pendência de um cargo lá no Estado dele? Se aciona o ministro para ver se está para sair, ou não tem nada, ou precisa mais uma semana. De repente o assunto é cabeludo e não tem como resolver, não tem como ter o voto", disse o relator. "Nós fizemos um governo parlamentarista. Estamos verificando isso." 

A votação está prevista para ocorrer entre 22h de hoje e 2h de terça-feira. O governo precisa antes votar a quebra de interstício, pois na última sexta-feira não conseguiu garantir quórum para a sessão requerida pelo regimento entre as votações na comissão especial e no Plenário. O relator, no entanto, descartou qualquer manobra regimental da oposição para protelar a apreciação da matéria em plenário.

"Oposição, que critica teto de gastos nas redes sociais, não tem voto", disse Perondi. "Nós estamos muito bem nas redes sociais em defesa do teto."

Chantagem. A manifestação contrária à PEC feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na semana passada não deve atrapalhar os planos do governo. O Ministério Público disse que a proposta representa risco às atividades de combate à corrupção no País. "Não há espaço para chantagem. Todos precisam ajudar", afirmou Perondi.

O peemedebista afirmou que já consultou um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria dito que a tese de inconstitucionalidade da PEC levantada pela PGR não prospera na corte.

Apesar disso, o relator reconhece que a cláusula que prevê o congelamento de salários de servidores em caso de descumprimento do teto pode gerar pressão durante a votação. "O que mais está havendo pressão é das corporações egoístas e opulentas", afirmou.

O prazo de vigência da PEC, 20 anos com possibilidade de mudança na regra a partir do 10º ano, não deve ser alterado, disse o deputado. O PSDB, que havia apresentado emenda para alterar essa previsão, já fechou questão a favor do texto apresentado pelo relator na semana passada. 

Amanhã, o relator já prevê concentrar os trabalhos para a votação em segundo turno na Câmara, que deve ocorrer no próximo dia 24. Depois disso, a matéria irá para o Senado, onde não deve enfrentar dificuldades, segundo Perondi. "Renan (Calheiros, presidente do Senado) está fechado com a PEC", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.