Relator propõe ajuda a produtor para comprar unidades da Parmalat

O governo federal deve financiar a compra de unidades da Parmalat por cooperativas de produtores interessados no negócio. O financiamento seria feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A recomendação está no relatório do deputado Assis Miguel do Couto (PT-PR), relator da Comissão Especial que investigou os reflexos da crise mundial da Parmalat para o Brasil. O relatório foi distribuído hoje para os deputados que integram a comissão e deve ser votado amanhã, às 14h30. A votação estava prevista para hoje, mas foi adiada, informou a assessoria do deputado paranaense. O raciocínio de Couto é que como o governo se nega a "colocar dinheiro novo na Parmalat", a saída para a crise é financiar a compra de unidades por cooperativas. Ele cita que um pool de cooperativas do Rio Grande de Sul já manifestou interesse na unidade da Parmalat de Carazinho. Couto argumenta no relatório que o presidente do BNDES, Carlos Lessa, em audiência pública, sinalizou que poderia financiar a operação, com pagamento do empréstimo em 20 anos. O relator alerta também para a grande concentração do mercado nacional de leite nas mãos de poucas empresas multinacionais, fenômeno já verificado em 2001, quando parlamentares de vários Estados criaram Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar a cadeia produtiva de produtos lácteos. "A concentração no setor foi crescente nos últimos anos", disse, ao defender, sem citar quais, que o governo elabore políticas que evite a concentração. O relatório servirá de base para as investigações da CPI mista que será instalada em Brasília. O pedido formal para criação da CPMI já foi apresentado e a instalação depende da primeira sessão do Congresso Nacional. Uma CPMI tem poder de quebrar sigilos telefônico e fiscal, o que será importante para determinar o tamanho da crise financeira da empresa, defendem deputados.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.