Relatório alerta para risco de recessão nos EUA

Associação empresarial divulga estudo mostrando previsão de 1,5% para o PIB no 4º trimestre

Efe,

19 de novembro de 2007 | 16h12

Os Estados Unidos enfrentam um risco maior de recessão devido à crise do mercado imobiliário e às restrições de crédito e, em 2008, sua economia crescerá 2,6%, segundo um relatório divulgado nesta segunda-feira, 19, pela Associação Nacional para a Economia Empresarial (Nabe, em sua sigla em inglês).   Com apenas cinco páginas, o relatório serve como uma espécie de radiografia do possível rumo da economia americana, a curto e longo prazos, caso sejam mantidas as tendências atuais. No entanto, a análise enfatiza que, por enquanto, a recessão é pouco provável.   O estudo foi divulgado num momento em que assuntos relacionados com a saúde econômica e a qualidade de vida no país despontam como temas de campanha para as eleições presidenciais de novembro de 2008.   O relatório, que se apóia no consenso de 50 analistas, oferece uma previsão pouco animadora para o último trimestre de 2007, no qual prediz um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 1,5% para o período entre outubro e dezembro.   Se os analistas acertarem sua previsão sobre o PIB - que serve de termômetro da economia nacional -, o crescimento no último trimestre de 2007 contrastará com a robusta taxa de crescimento do terceiro trimestre, entre julho e setembro, de 3,9%.   "O relatório assinala que a recessão é um resultado pouco provável, embora os analistas também reconheçam que há um risco maior" desse fenômeno, explicou Melissa Golding, porta-voz da Nabe.   A maioria dos analistas financeiros ouvidos considera que o risco de uma recessão no próximo ano é de menos de 30%, enquanto alguns poucos crêem que este risco supera os 50%.   De acordo com os analistas, os fatores detonantes da recessão, caso ela se concretize, seriam, principalmente, as seqüelas do enfraquecimento do mercado imobiliário e as restrições no setor creditício, que diminuem o acesso a empréstimos com juros baixos.   Os analistas, entrevistados entre 22 de outubro e 6 de novembro, modificaram suas projeções de setembro e agora antecipam que, entre o último trimestre de 2007 e o último trimestre de 2008, o PIB crescerá 2,6%. Em setembro, tinham previsto que o PIB cresceria 2,8% no próximo ano.   De qualquer maneira, o crescimento do PIB para 2008 superará a taxa de 2,4% que os analistas projetaram para o ano corrente, segundo o relatório "Previsões do Nabe de Novembro de 2007", que estará disponível a partir desta segunda-feira no site do organismo.   Segundo o panorama previsto pelos analistas, a taxa de desemprego nos EUA chegará a 4,9% em 2008, um pequeno aumento sobre os 4,7% atuais. O déficit federal aumentará de US$ 163 bilhões no ano fiscal 2007 para US$ 215 bilhões em 2008, segundo a análise.   Os analistas alteraram para baixo suas projeções em todos os principais setores da economia para 2008, salvo as exportações líquidas e o gasto fiscal.   No entanto, os economistas acreditam que o dólar se recuperará frente ao euro, divisa que alcançará uma cotação média de US$ 1,41 no próximo ano.   Os analistas consideram também que o preço do petróleo cairá de US$ 90 por barril no fim de 2007, para US$ 75 por barril no final de 2008.   Embora seja menos severa que uma depressão, uma contração econômica pode ter um "efeito dominó", que atingiria de Wall Street a fábricas e supermercados.   Por isso as autoridades têm medo agora de que os consumidores, receosos em relação a uma possível recessão, reduzam suas despesas durante o período do Natal.

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