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Relatório aponta falhas de controle no Societé Générale

Ministra da Economia recomenda que bancos reforcem a fiscalização de suas transações

Daniela Fernandes, BBC BRASIL

04 de fevereiro de 2008 | 15h49

Um relatório da ministra francesa da Economia, Christine Lagarde, divulgado nesta segunda-feira,4, aponta falhas no sistema de fiscalização dos operadores do banco Société Générale, que sofreu prejuízos de mais de US$ 7 bilhões devido a operações fraudulentas realizadas por um funcionário.  "Certos mecanismos de controle interno do banco não funcionaram como deveriam e os que funcionaram não foram objeto de um acompanhamento apropriado", afirma a ministra em um relatório de 11 páginas entregue ao primeiro-ministro François Fillon.  O documento também afirma que os bancos franceses devem reforçar a fiscalização de suas transações de mercado, criando uma espécie de mapa dos riscos operacionais para melhor identificar fraudes internas.  Lagarde diz que é necessário "aumentar substancialmente" o valor das multas que a Comissão Bancária francesa pode aplicar às instituições que não cumprirem a regulamentação do setor. O valor máximo da multa atualmente é de 5 milhões de euros (U$ 7,3 milhões).  O governo sugere ainda que os bancos protejam melhor os códigos de acesso aos sistemas informatizados de segurança, que permitem o controle das operações.  Códigos de acesso  O operador Jérôme Kerviel, acusado de ter causado o gigantesco rombo no Société Générale, reconheceu durante interrogatório ter "driblado" o sistema de segurança do banco, utilizando códigos de acesso de outras pessoas e falsos e-mails para confirmar operações fictícias.  A ministra ressalta que o relatório não tem o objetivo, no entanto, de estabelecer as responsabilidades em relação à fraude. Em um breve comunicado, o banco Société Générale indica que "não fará comentários sobre os trechos do relatório que comentam o ocorrido e que os sistemas de avaliação de riscos não são questionados no documento".  A ministra também critica a demora da direção do banco para informar o governo sobre a fraude. Ela foi descoberta no dia 19 de janeiro, mas somente comunicada às autoridades no dia 23, na véspera do anúncio à imprensa.  "Devido ao caráter excepcional e às conseqüências que poderia ter sobre a estabilidade do sistema financeiro, teria sido desejável que o governo fosse informado antes do dia 23", diz a ministra.  Riscos  Lagarde também afirma no relatório que nenhuma informação até o momento contraria a idéia de que Kerviel teria agido sozinho. Durante seus depoimentos à polícia e à Justiça, Kerviel declarou que outros operadores do banco também assumem riscos como ele, apesar de não movimentarem quantias tão elevadas.  Kerviel está em liberdade condicional enquanto continuam as investigações da Justiça sobre a fraude. Nos últimos dias, cresceram os rumores de que o Société Générale, por causa das perdas bilionárias, poderia ser comprado por outro banco, como o BNP Paribas.

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