Relatório confirma dados de delação

Executivo da Toyo Setal disse que a Samsung Heavy pagou US$ 53 milhões em propinas para construir os dois navios

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

31 Maio 2015 | 03h00

No fim do ano passado, os contratos para construção de dois navios-sondas, o Petrobrás 10000 e o Vitória 10000, tiraram o sono de alguns dos personagens que se tornaram centrais na operação Lava Jato. Julio Camargo, o executivo da Toyo Setal que foi um dos primeiros delatores do esquema, disse que a Samsung Heavy pagou US$ 53 milhões em propinas para construir os dois navios. 

Esse valor coincide com números levantados pela Petrobrás em sua auditoria interna, que relata preços pouco competitivos e lesivos à Petrobrás e a frágil comprovação da necessidade de contratação dos navios. Todos esses dados podem ajudar o Ministério Público na acusação que fez, em janeiro deste ano, com base na delação feita por Camargo. O MP denunciou por crimes de corrupção Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobrás, o doleiro Alberto Youssef e o lobista Fernando Soares, o Baiano, que seria um operador do PMDB, além de Camargo, da Toyo Setal. 

Todos esses personagens também aparecem no relatório de auditoria, que afeta outras empresas, além do estaleiro Samsung, e também analisa contratos dos navios Price Ensco e Titanium Explorer. Na época, Cerveró era o diretor da área internacional. De acordo com os relatórios de visitas levantados pela auditoria, Camargo participou das reuniões com Cerveró em que estavam Mitsui e Samsung. Em pelo menos uma dessas reuniões estava presente Fernando Soares. Recentemente, Alberto Youssef chegou a ligar o esquema de propinas dos navios ao deputado Eduardo Cunha, do PMDB. Cerveró, Soares e Cunha negam as acusações. 

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