Relatório critica decisões dos EUA durante resgate de montadoras

Segundo o documento, a decisão de acelerar a redução no número de concessionárias da Chrysler e GM pode ter exacerbado o ritmo de aumento do desemprego durante a recessão 

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 07h21

A decisão do Departamento do Tesouro dos EUA de acelerar o processo de redução no número de concessionárias das montadoras Chrysler e General Motors pode ter exacerbado o ritmo de aumento do desemprego durante a recessão, de acordo com um relatório divulgado no domingo pelo inspetor-geral dos EUA para o Programa de Alívio para Ativos Problemáticos (Tarp, em inglês), Neil Barofsky.

"O Tesouro tomou várias decisões que podem ter contribuído significativamente para o encerramento das atividades de pequenas empresas e, portanto, potencialmente acrescentando dezenas de milhares de trabalhadores para a lista de desempregados", afirmou o inspetor no documento, acrescentando que as decisões foram "baseadas em teorias e sem uma avaliação suficiente sobre impactos econômicos".

De acordo com o relatório, "apenas o tempo irá dizer" se a aceleração do processo de redução no número de concessionárias beneficiará a lucratividade das montadoras e que o Tesouro deveria ter "tomado todas as medidas razoáveis" para garantir que os benefícios às companhias superavam o custo econômico de uma potencial antecipação da perda de "dezenas de milhares de empregos".

A diminuição das redes de concessionárias foi um dos pontos mais polêmicos durante o processo de concordata da General Motors e da Chrysler no ano passado. O Departamento do Tesouro dos EUA e as montadoras afirmavam que, por conta do elevado número de revendedoras, as concessionárias de uma mesma marca precisavam competir entre si, o que prejudicava os lucros.

O Departamento do Tesouro, que recebeu uma versão preliminar do relatório, afirmou em uma carta que discordava "fortemente" das conclusões. "O resultado dentro dos planos de reestruturação é muito melhor do que as prováveis alternativas se o governo não tivesse ficado ao lado das companhias", afirmou o órgão.

Tanto a Chrysler quanto a General Motors já saíram de seus respectivos processos de concordata e estão pagando os empréstimos do governo antes do prazo previsto. O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, citou esses fatores como uma confirmação de que o investimento de US$ 81 bilhões do governo nas montadoras salvou empregos e estabilizou o setor. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
euarelatórioresgatemontadoras

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.