Gabriela Biló/Estadão
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Relatório da Febraban diz que 88% dos brasileiros estão preocupados com a preservação da Amazônia

Pesquisa mostra que os jovens de 18 a 24 anos e as mulheres estão mais atentos aos problemas da floresta; grupo também está disposto a pagar mais caro por produtos ecológicos ou sustentáveis

Mariana Hallal, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 09h00

Quase nove em cada dez brasileiros estão preocupados ou muito preocupados com a situação da Floresta Amazônica. É o que mostra uma pesquisa feita pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pelo Instituto de Pesquisas Sociais Políticas e Econômicas (Ipespe) divulgada nesta quinta-feira, 27. O relatório, que traz as percepções da população sobre a Amazônia, entrevistou 1,2 mil pessoas entre 11 e 19 de agosto.

O número é ainda maior entre jovens de 18 a 24 anos. Nessa faixa etária, 94% dos entrevistados demonstraram preocupação com a preservação da floresta, ante 88% da população em geral. Eles também estão mais dispostos a pagar mais caro por produtos ecológicos ou sustentáveis. Na média da população, o índice de pessoas que teria essa atitude é de 64%. Entre os jovens, sobe para 82%.

Os mais novos têm mais consciência sobre a importância da Amazônia para o País. Em uma escala de zero a dez, 83% dos jovens falaram que a floresta tem relevância máxima para o Brasil ante 77% da média da população.

Para o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, presidente do conselho científico do Ipespe, os jovens serão os principais condutores da bandeira do desenvolvimento sustentável. “O diferencial geracional assegura que a causa vai se expandir na sociedade. Os jovens estão mais preocupados com a Amazônia”, afirma.

Além dos jovens, as mulheres também demonstram maior preocupação com a degradação da floresta. Lavareda explica que essa tendência não é exclusiva do Brasil, é global. “Há algumas áreas em que as mulheres tomam a frente e o meio ambiente é uma delas”, diz.

A pesquisa mostra que 85% das mulheres está pouco satisfeita ou não está satisfeita com os esforços feitos pelo Brasil para preservar o meio ambiente. Entre os homens, 71% compartilham a mesma percepção. A parcela mais rica da população, que recebe mais de cinco salários mínimos, demonstra maior maior grau de insatisfação com a questão. Segundo a pesquisa, 82% deles se dizem insatisfeitos quanto à preservação ambiental, ante 76% das pessoas que ganham até dois salários mínimos.

A poluição das águas dos rios, lagos e reservatórios foi apontada como o principal problema ambiental do País. Entre os entrevistados, 96% apontaram a questão como preocupante ou muito preocupante. O desmatamento da Floresta Amazônica e a poluição do ar vêm em seguida, ambos com 93%.

Para 77% das pessoas, o desmatamento ilegal na Amazônia aumentou nos últimos anos. Na visão dos entrevistados, a Floresta Amazônica é o ecossistema que mais corre risco no Brasil (60%), seguida pela Mata Atlântica (11%) e o Pantanal (9%). A extração de madeira foi apontada como a atividade que mais causa desmatamento (48%). A grilagem de terras aparece em segundo lugar (14%), seguida da criação de gado (11%).

Os pesquisadores perguntaram quem deveria ser o principal responsável pela preservação da Amazônia. O governo federal aparece em primeiro lugar (49%), seguido de longe pela população em geral (16%) e os governos estaduais da Amazônia (10%).

 

Consciência ambiental cresce

Lavareda diz que a preocupação dos brasileiros com a preservação ambiental, especialmente da Amazônia, está crescendo. “Estamos indo a um patamar parecido com o da Europa, que tem uma preocupação histórica maior com as causas ecológicas.”

O cientista político acredita que as discussões atuais sobre os problemas da floresta, tanto na mídia quanto na política, estão contribuindo para aumentar o interesse da população no assunto. “Os brasileiros ficam sabendo sobre a Amazônia pelo noticiário.”

Ele aponta ainda que o brasileiro está ciente sobre os agentes responsáveis pela preservação da floresta. "Os órgãos destinados a trabalhar pela proteção da Amazônia são federais", lembra.

 

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