Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Relatório da ONU defende etanol brasileiro

Segundo documento, etanol de cana do Brasil é mais barato e polui menos que o álcool norte-americano

Lisandra Paraguassú, do Estadão,

27 de novembro de 2007 | 10h12

O relatório de Desenvolvimento Humano (IDH) 2007, divulgado nesta terça-feira, 27, pelas Nações Unidas e que trata, entre outros temas, dos riscos do aquecimento global, defende o etanol brasileiro como uma das soluções em energias alternativas para cortar a emissão de gás carbônico na atmosfera. Além disso, o documento pede o corte de tarifas impostas pelos Estados Unidos e a União Européia para a importação.   Veja também: Brasil entra para o clube do alto desenvolvimento humano Relatório da ONU pede corte 80% na emissão de CO2 até 2050 Em artigo, Lula defende 'ação nacional para desafio global' IDH mostra que estamos no caminho certo, diz ministro Para especialista, ranking da ONU adota 'rótulos artificiais' A evolução dos países   De acordo com o relatório, o etanol de cana-de-açúcar produzido pelo Brasil custa a metade do etanol de milho americano e corta em 70% as emissões de gás carbônico, enquanto o produto americano reduz as emissões em apenas 13%. "Temos evidências muito claras que a geração de gás carbônico para produzir o etanol de milho é equivalente à economia trazida pelo uso desse etanol no lugar do petróleo", afirmou Kevin Watkins, coordenador do relatório do IDH.   O relatório explica que o custo menor de produção do etanol (álcool combustível) brasileiro se deve a condições climáticas, disponibilidade de terra e melhor eficiência da cana, mas adverte que esse custo menor é desperdiçado pelos países ricos que aplicam taxas de importação altamente restritivas em biocombustíveis.   "Políticas comerciais aplicadas ao etanol são conflitantes com uma enorme gama de metas sobre aquecimento global. O etanol brasileiro fica em desvantagem mesmo sendo mais barato de produzir, emitindo menos carbono na sua produção e sendo um combustível mais limpo", diz o relatório. "O ponto central é que abolir as tarifas do etanol iria beneficiar o meio ambiente, diminuir os riscos do aquecimento global e ajudar países em desenvolvimento, como o Brasil, que tenham boas condições para produzi-lo."   O relatório inclui, ainda, um texto de uma página do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do programa brasileiro do biocombustíveis. Lula refuta as alegações de que o crescimento do etanol brasileiro pode ser uma ameaça à Amazônia por conta do crescimento das lavouras de cana-de-açúcar e reclama dos subsídios dados por países desenvolvidos aos seus programas de biocombustíveis.   "Os Estados Unidos e a Comunidade Européia estão aumentando programas de biocombustíveis fortemente subsidiados. Comparados com o programa brasileiro, todos eles perdem muito, tanto em termos de custos de produção quanto na eficiência em cortar emissões de carbono. Baixar as tarifas de importação ao etanol brasileiro iria baixar os custos do abatimento de carbono e aumentar a eficiência econômica na produção de combustíveis alternativos", diz o texto do presidente.

Tudo o que sabemos sobre:
IDHetanol

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.