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Relatório de inflação do BC veio 'realista', diz Nomura

O diretor de pesquisas para a América Latina da Nomura Securities, Tony Volpon, afirmou ao Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, que "foi muito positivo o tom realista" do relatório de inflação de março, pois nele o BC "reconhece que há dois choques de preços na economia: o dos administrados e dos alimentos."

RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

27 de março de 2014 | 10h29

Também chamou sua atenção o Banco Central manifestar com clareza que está preocupado com a persistência de alta das expectativas de mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o que, de certa forma, é persistente por vários motivos, especialmente por causa da percepção de analistas que o governo não quer reverter à política de contenção dos custos de preços administrados, com destaque para gasolina e energia.

"Por reconhecer os choques de preços administrados e de alimentos, o que é bem louvável, o BC indica que vai elevar os juros em 0,25 ponto porcentual em abril e também em maio", destacou Volpon. "E dependendo da evolução dos dados da inflação neste ano, não descartaria a possibilidade de o Banco Central continuar o movimento de alta de juros até leva-los a 12% ao ano", disse.

Volpon destacou ter sido "muito boa" a posição do BC de elevar sua projeção para os preços administrados, que estava com uma alta de 4,5% para 2014 e 2015, e que agora passou para 5%. O Banco Central aumentou sua previsão para aumento de energia para este ano, de 7,5% para 9,5%. "É importante essa manifestação da autoridade monetária, pois reconhece que essa política de represamento dos preços administrados pelo governo está causando efeitos negativos à economia, inclusive porque mantém as expectativas de inflação muito altas no horizonte relevante para a ação do Copom", ponderou.

De acordo com a pesquisa Focus divulgada nesta semana, a mediana das projeções de economistas de mercado para o IPCA neste ano subiu de 6,11% para 6,28% e avançou para 2015 de 5,70% para 5,80%. O Banco Central também mostrou que aumentou de 27% para 38% as chances da inflação superar o teto de 6,5% em 2014, enquanto continuam em 27% as probabilidades para superar tal patamar em 2015.

"As expectativas de inflação estão muito altas e o BC já percebeu que precisa agir, pois elas estão contaminadas por uma avaliação generalizada de que sem uma ação vigorosa dos juros, as expectativas vão continuar muito altas e isso vai influenciar a inflação corrente", disse. "Então, o BC deverá estender o movimento de alta da Selic para vencer a batalha da inflação para 2015."

O cenário de referência do BC apontou que subiu a projeção da inflação para 2014 de 5,6% para 6,1% e aumentou um pouco a previsão relativa a 2015, de 5,4% para 5,5%.

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