'Relatório de Inflação' do Copom evita críticas

O Relatório de Inflação que o Comitê de Política Monetária (Copom) acaba de divulgar deixa-nos um pouco apreensivos diante da tranquilidade com que as autoridades monetárias fazem estimativas.

O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h12

Segundo o relatório, a demanda doméstica continua sendo o principal suporte da economia. O Copom prevê que, nos próximos semestres, essa demanda ganhe "robustez".

O documento não demonstra preocupação com os meios usados para estimular essa demanda doméstica, mas seus efeitos secundários mereceriam análise mais cautelosa. Os autores do relatório lembram que, com a suspensão dos incentivos, a demanda poderá diminuir, mas não dão grande importância a esse fato.

Tampouco parecem preocupados com o aumento das importações, que resulta de a indústria nacional ter desistido de produzir boa parte dos componentes. Isso ocorre particularmente com os produtos cujo consumo foi estimulado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - e cujos preços deverão ficar mais altos com a desvalorização do real em relação ao dólar.

O relatório não tenta abordar as causas do baixo crescimento da economia, apesar do grande peso do consumo das famílias na composição do Produto Interno Bruto (PIB).

Mais decepcionante, no entanto, é a parte do relatório que se refere ao controle da inflação. O documento lança suas previsões de 5,7%, neste ano; 4,8%, em 2013; e 4,9%, em 2014. O Copom parece ter-se esquecido da existência da meta de inflação, já que nestes três últimos anos a inflação ficou acima do centro da meta.

O trecho mais realista diz respeito ao crescimento. O comitê reduziu sua previsão para 2012 de 1,6% para 1% e estima em 3,3% o crescimento de quatro trimestres, até o terceiro trimestre de 2013. Não se dirá que é um resultado brilhante - e isso se explica pela queda dos investimentos.

A questão do superávit primário, que parecia ser uma das grandes preocupações do Banco Central (BC), ficou à margem. Indiretamente, porém, seu fiasco é justificado pela queda da arrecadação e pelas desonerações fiscais. Desta forma, no capítulo sobre a inflação se aceita uma redução deste superávit, de 3,70% para 3,3% do PIB, como prevê a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Esse Relatório de Inflação seria seguramente um documento mais precioso se fosse mais crítico, como são os documentos do Fed (o banco central dos EUA). Isso mostra claramente o grave inconveniente de um BC cuja independência do governo central não é total.

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