Relatório do BC deixa dúvida sobre inflação e juros futuros sobem

Cenário:

MÁRCIO RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h13

As dúvidas sobre a trajetória da inflação no próximo ano permaneceram no mercado, apesar de o Banco Central (BC) reafirmar, em seu Relatório Trimestral de Inflação, a tendência de convergência do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a meta do governo, ainda que de forma não linear. A leitura de que a autoridade monetária demonstra um otimismo excessivo com a inflação, em um cenário de pressão de preços e situação fiscal delicada, determinou a alta das taxas dos contratos futuros de juros, sendo que o movimento se amplificou no fim do dia em função de fatores técnicos. A taxa do contrato de juros com vencimento em janeiro de 2014 encerrou a 7,17%, ante 7,08% do fim da tarde de ontem. Já o contrato para janeiro de 2017 fechou com taxa de 8,63%, ante 8,50% da véspera.

As preocupações com a inflação também impactaram o dólar, que pela manhã foi influenciado por mais um leilão, do Banco Central, de venda da moeda estrangeira com compromisso de recompra. No Relatório de Inflação, o BC também utilizou para suas projeções um dólar a R$ 2,05, o que deixou margem para ajustes em baixa da moeda americana ante o real. Para completar, o BC anunciou, à tarde, mais um leilão com compromisso de recompra para amanhã, trazendo nova pressão de queda. O dólar encerrou a quinta-feira em baixa de 0,43% no mercado de balcão, cotado a R$ 2,0620.

No exterior, o pronunciamento do presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano John Boehner, sobre o projeto de seu partido para evitar o abismo fiscal trouxe certo otimismo para os negócios com ações, embora o parlamentar tenha feito duras críticas ao presidente Barack Obama. A proposta republicana seria votada na noite de ontem na Câmara dos Representantes dos EUA e, apesar de ser diferente do que deseja a Casa Branca, era vista como uma alternativa para que o país, de fato, consiga prorrogar os cortes de impostos para alguns contribuintes. Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em alta de 0,45%, o S&P-500 avançou 0,55% e o Nasdaq subiu 0,20%.

A fala de Boehner também repercutiu na Bovespa, que virou para o território positivo à tarde e fechou em alta de 0,46%, aos 61.276,12 pontos, na pontuação máxima do dia. Petrobrás e Vale, que recuaram ao longo da sessão, acabaram encerrando a quinta-feira em alta. As ações ordinárias da estatal subiram 0,66% e as preferenciais avançaram 0,57%. No caso da Vale, os papéis ON subiram 0,48% e os PNA tiveram alta de 0,74%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.