Relatório do BC prevê aumento do IPCA em 2012

O segundo Relatório de Inflação deste ano ofereceu uma surpresa ao admitir que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), suba, no final de 2012, de 4,6% para 4,9%. Isso se explica por causa da incerteza em relação ao próximo ano, pois é difícil avaliar os efeitos de uma alta fora do comum que o salário mínimo terá, com repercussões sobre os gastos do governo federal.

, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

No seu sumário executivo, o Banco Central (BC) fala de um cenário com recuperação em ritmo mais moderado, com contribuição também moderada do crédito para a expansão dos investimentos e do consumo - num mercado de trabalho também aquecido que dá sinais de moderação - e com um comércio exterior se expandindo, mas com inflação em alta em 2011, em razão da elevação dos preços livres e administrados. Todavia, no capítulo mais interessante, tem de reconhecer que o Brasil está vivendo num clima de grande incerteza, certamente acima da usual.

Partindo do fato de que a economia mundial entra num ritmo de recuperação muito moderado, afetada pelo aumento dos preços das commodities, o BC constata que esse aumento também afetou a economia brasileira e que o recuo atual dessa pressão obriga a pensar que ela voltará no próximo ano. Embora o País se aproveite dos preços dos produtos importados, isso aumenta o descompasso entre a oferta e a demanda.

O relatório dá grande importância aos efeitos de reajustes salariais acima dos ganhos de produtividade, favorecidos por uma situação de quase pleno emprego, especialmente no setor dos serviços. E aponta o risco de que a elevação dos preços no atacado alimente a expectativa dos formadores de preços no varejo.

O BC mais uma vez aplaude o processo de consolidação fiscal, desprezando o fato de que é o aumento das receitas - mais do que o corte das despesas - que permitirá atingir o objetivo de superávit primário. No entanto, atualmente, deveria dar maior atenção ao resultado nominal das contas públicas.

Os autores do relatório reconhecem que a moderação do crédito é um fator importante, mas parecem satisfeitos com os 15% de crescimento, muito acima do PIB, e destacam o perigo de um excesso de empréstimos externos.

Sem dúvida, é o nível de incerteza que levou o Banco Central a rever suas previsões para 2012, levando em conta que o IBC-BR de 3,3% permite, com o carry-over, um crescimento do PIB de 4% e também que não se pode apostar na continuidade da austeridade fiscal num governo que quer crescimento econômico maior.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.