Relatório do BC revê projeção de inflação para 2005

O relatório de inflação divulgado hoje pelo Banco Central reviu de 5,5% para 5,8% a inflação projetada pelo IPCA para 2005. A meta do Banco Central para o ano continua em 5,1%. A projeção do IPCA para 2006 caiu de 3,8%, no último relatório divulgado em março, para 3,7% no relatório de inflação de junho. O cenário de referência usado pelo BC considerou a manutenção da taxa Selic em 19,75% a.a. e taxa de câmbio em valor próximo ao atual, de R$ 2,47.No cenário de mercado, a taxa básica de juros deve ficar em 19,67% a.a. no terceiro trimestre do ano, caindo para 18,50% a.a. no quarto trimestre de 2005. Para o final de 2006, a estimativa é de uma taxa de juros de 15,60% a.a.. A cotação do dólar parte de uma média de R$ 2,54 no terceiro trimestre, depreciando-se para R$ 2,64 no último trimestre de 2005 e para R$ 2,84 no quarto trimestre de 2006.Segundo o relatório do BC, a trajetória de queda da inflação ao longo de 2005 está associada aos efeitos defasados do processo de elevação da taxa básica de juros pelo Copom desde setembro de 2004. O BC assinala que a queda maior ocorre entre o terceiro e quarto trimestres de 2005, quando a inflação acumulada em quatro trimestres cai de 6,8% para 5,8% em função da substituição da inflação do quarto trimestre de 2004 (2%) pela projeção de 1,3% para o mesmo período de 2005. Para 2006, o BC destaca a tendência de redução da inflação que, acumulada em quatro trimestres, inicia o ano em 5,2% e atinge 3,7% no último trimestre, abaixo do centro da meta para 2006, de 4,5%. MotivoA inflação dos últimos três meses acima do esperado em março foi um dos motivos que levou o BC a aumentar a sua projeção de inflação para este ano de 5,5% para 5,8%. A elevação deixou mais distante a possibilidade de o BC vir a conseguir alcançar efetivamente o objetivo de deixar o IPCA em 5,1%. A revisão para cima das estimativas de aumento dos preços administrados também influenciou no aumento da previsão de inflação. "O aumento mais do que compensou os efeitos do aumento dos juros reais e da apreciação cambial sobre a projeção de inflação", diz o Relatório de Inflação de junho divulgado pelo BC. Para 2006, as estimativas de variação do IPCA recuaram de 3,8% para 3,7% em resposta a uma elevação dos juros reais e a uma taxa de câmbio nominal mais apreciada. Neste cenário, a inflação ficaria abaixo do centro da meta de 4,5% já fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no próximo ano. PIBO Relatório de Inflação de junho trouxe uma revisão para baixo das estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano de 4% para 3,4%. A mudança foi feita tendo como base um cenário de referência de juros estáveis em 19,75% e uma taxa de câmbio de R$ 2,47. Apesar de menor, o porcentual projetado ainda é superior aos 3% estimados pelas instituições financeiras participantes da pesquisa Focus divulgada semanalmente pelo BC.12 mesesO relatório reajusta a expectativa de inflação pelo IPCA de 7,2% a.a. para 7,5% a.a. no final do segundo trimestre de 2005 e de 6,5% a.a. para 6,8% a.a. no final do terceiro trimestre de 2005. A projeção para o último trimestre do ano subiu de 5,5% a.a. para 5,8% a.a. Até o final do primeiro trimestre de 2006, a previsão passou de 5% a.a. para 5,2% a.a.A inflação prevista para o final do segundo trimestre de 2006 foi mantida em 4,6% a.a. e teve uma leve queda na previsão para o terceiro trimestre, passando de 4,1% a.a. para 4% a.a. O BC estima uma inflação medida pelo IPCA de 3,7% a.a. no final de 2006, ante 3,8% a.a. previsto no último relatório de inflação, divulgado em março. O relatório do BC estima que há 23% de chance de ser superado o limite superior de tolerância para a meta de inflação de 2005, que é de 7% a.a. (centro da meta de 4,5% com tolerância de 2,5pp). No relatório de março, a probabilidade estimada era de 24%, segundo o cenário de referência. No cenário de mercado, houve um movimento inverso e apresentou pequena elevação: a probabilidade de superar o limite da meta de inflação passou de 33%, no relatório de inflação de março, para 34%.

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