Relatório do FMI reforça ameaça de crise global à Europa

Fundo afirma que expansão da região será abaixo da potencial e reforça papel dos Bancos Centrais

REUTERS

21 de abril de 2008 | 11h28

A desaceleração econômica nos Estados Unidos e os problemas nos mercados financeiros vão reduzir abruptamente o crescimento econômico na Europa, levando a expansão a um nível abaixo do potencial nas economias maduras da região Ocidental por algum tempo, afirmou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta segunda-feira, 21.  Veja também:Cronologia da crise financeira  Entenda a crise nos Estados Unidos   Em um relatório sobre a Europa, o FMI manteve as principais previsões e recomendações políticas feitas no começo do mês no relatório "Panorama Econômico Mundial", incluindo o comentário de que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra podem cortar as taxas de juro para proteger o crescimento.  O FMI estima que o prejuízo dos bancos europeus com a crise causada pelo colapso do mercado de hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos atinja ao todo US$ 123 bilhões, dos quais US$ 43 bilhões ainda não foram reportados.  A estimativa para os bancos norte-americanos é de perdas de US$ 144 bilhões, dos quais US$ 49 bilhões ainda estão para ser anunciados.  "Ainda que a Europa esteja diante da turbulência financeira com fundamentos fortes, a contaminação da esperada recessão amena nos Estados Unidos, a reavaliação global dos riscos e a tensão no mercado financeiro estão minando o vigor da economia", afirmou o FMI no relatório.  O Fundo previu uma desaceleração significativa na Europa Ocidental, com uma redução mais amena no centro e no leste do continente. "O crescimento nas economias avançadas da Europa deve diminuir em 1,25 ponto percentual em 2008, para 1,5%, bem abaixo do potencial de crescimento, e deve cair ainda mais em 2009", afirma a instituição.  O relatório acrescentou que o BCE acertou ao manter o juro básico inalterado no final de março, mas disse que o banco deve agora ficar preparado para responder flexivelmente a mudanças no ambiente econômico. "O BCE pode arcar com algum alívio monetário", avaliou o FMI.

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