Relatório do FMI sobre o Brasil está defasado, diz o BC

Para diretor de Assuntos Internacionais, Luiz Awazu, alertas em relação à economia do País estão sendo enfrentados pelo governo

Beatriz Abreu, de O Estado de S.Paulo,

20 de julho de 2012 | 22h30

BRASÍLIA - O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, disse que o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado na sexta-feira, 20, está defasado porque se refere a dados anteriores a maio, embora seja "bastante positivo e corrobore as análises do BC". A missão do FMI esteve no País de 7 a 22 de maio. "Os alertas do FMI em relação à economia brasileira estão sendo enfrentados pelo governo", disse.

 

O Fundo destaca a necessidade de transição do modelo de crescimento focado no consumo para o de aumento da poupança, o cuidado para evitar que a inflação se afaste do centro da meta de 4,5%, além da questão do endividamento das famílias e do crescimento do crédito. Embora o FMI tenha aprovado a "ação tempestiva" do País diante da crise, os pontos relacionados são resultado do aumento do crédito e da redução significativa da taxa de juros, a Selic.

O diretor do BC defende as ações do governo, posteriores ao período de coleta de dados pelo Fundo. Ele diz que a preocupação com a deterioração das expectativas de inflação está comprometida. Atualmente, segundo ele, está mais consensual no mercado o entendimento de que a inflação está caminhando para o centro da meta de 4,5 %. "Na época, isso não parecia óbvio."

Adequação. Awazu disse ainda que o governo já trabalha na adequação das medidas fiscais e monetárias, alterando gradativamente o enfoque do consumo para o de aumento da poupança. Porém, reconhece que não é mudança que se faça de um dia para outro. "O Brasil está se transformando de maneira positiva porque está crescendo com inclusão social", disse.

O modelo de crescimento brasileiro, segundo o diretor, envolve "esforço enorme" para favorecer o investimento, como as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a desoneração de impostos, a reforma da previdência dos servidores e as mudanças nas concessões de portos e aeroportos.

O aumento do crédito e os níveis de inadimplência são riscos atenuados. O crédito, na avaliação do BC, está crescendo em ritmo mais moderado. Segundo ele, "outros países" têm dificuldade de entender o aumento de crédito no País. "Eles se esquecem que o crédito no Brasil tem um lado estrutural.Estamos vivendo agora o que os outros países viveram na década de 50."

Essa maior oferta de financiamento seria para atender aos 35 milhões de brasileiros que ingressaram na classe média e demandaram serviços financeiros. "É bom que o crédito cresça aqui. E isso está acontecendo de maneira responsável. O Banco Central monitora com cuidado o endividamento e pagamento de prestações das famílias para que o processo seja virtuoso."

O endividamento das famílias - outra preocupação do Fundo - está em torno de 30% do Produto Interno Bruto (PIB), ante posições bem mais altas em outros países. "Ninguém quer a explosão do endividamento, para virar 200% do PIB." Em relação à inadimplência, também não há temor aparente. "O crédito está sendo ofertado com mais cuidado, num processo mais sólido e de recuperação da economia."

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