Relatório do UBS antecipava notícia

Publicação já dizia que Tupi não era pequeno, 'mas talvez menor do que...', referindo-se à área Pão de Açúcar

Irany Tereza e Wellington Bahnemann, O Estadao de S.Paulo

15 de abril de 2008 | 00h00

No início de dezembro do ano passado, sob o título "Is Tupi Small?" (Tupi é pequeno?), o banco UBS Pactual publicava relatório destinado a clientes internacionais. De forma detalhada, o analista Gustavo Gattass dizia que "não, Tupi não é pequeno, mas talvez menor do que..." e passava a listar outras áreas de exploração, nas proximidades de Tupi. Relacionou quatro, na área denominada Pão de Açúcar, que, segundo estimativas do banco, reuniriam reservas totais de 52,163 bilhões de barris de óleo (BOE).No mês anterior, em entrevista na sede da Petrobrás, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, classificara a descoberta de Tupi como o marco de "uma nova era" no setor de petróleo brasileiro. Dilma fez a declaração depois de uma reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que retirou do leilão da ANP 41 áreas com potencial de reservas também no subsolo abaixo da camada de sal. Ontem, relatório de outro banco, o Credit Suisse, avaliou como supervalorizadas as informações do diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, sobre as potenciais reservas de Pão de Açúcar. Segundo relatório, a "considerável excitação" causada com as expectativas sobre a área não levou em conta que os volumes citados referem-se à estrutura geológica que abrange quatro blocos operados por diferentes consórcios empresariais.O analista do banco, Emerson Leite, lembrou que 40% dessas áreas nem sequer possuem licença para perfuração. O relatório lembra ainda o fato de que, por esse motivo, o BM-S-22 não foi perfurado ainda, o que leva as discussões sobre potenciais reservas na área total para uma seara especulativa.No relatório do UBS de dezembro, Gattass se deteve particularmente na análise dos quatro blocos contíguos, na Bacia Marítima de Santos (BMS), que compunham o que ganhou a denominação de Pão de Açúcar. Destes, o de maior exposição na chamada camada de pré-sal é o BM-S-22, operado pela Exxon, no Brasil conhecida como Esso (40%), Amerada Hess (40%) e Petrobrás (20%). O analista afirmou que se Pão de Açúcar também possuir óleo, a descoberta "poderá ser significativamente superior à de Tupi".O analista ainda acrescentou que as informações-chave sobre o potencial da região ao sul de Tupi deverão partir do bloco BM-S-22, onde está localizada grande parte da área de Pão de Açúcar já concedida para o mercado. No comunicado divulgado ontem, a Petrobrás não deu nenhuma indicação sobre o volume de reservas disponíveis no BM-S-21.Segundo a estatal, o bloco BM-S-21, em águas ultraprofundas da Bacia de Santos, está a 280 km da costa paulista, em lâmina d'' água de 2,2 mil metros. A profundidade do poço pioneiro é de 5,35 mil metros. A companhia ainda informou que o poço não foi testado por questões operacionais e de logística, mas garantiu a continuidade dos investimentos para verificar as dimensões da reserva.De acordo com o relatório, parte da área de Pão de Açúcar está localizada sobre os blocos BM-S-22, da Exxon (40%), Hess (40%) e Petrobrás (20%); BM-S-8, da Petrobrás (50%), Shell (40%) e Galp (10%); e BM-S-9, Petrobrás (45%), BG (30%) e Repsol (25%), além do próprio BM-S-21, da Petrobrás (80%) e Galp (20%). O analista dizia, porém, que grande parte da nova área ainda não foi concedida pelo governo para nenhuma empresa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.