Relatório empurra centro da meta mais para frente

Mais 0,5 ponto ou mais 0,75 ponto na taxa básica de juros este ano? Fim do ciclo de alta em julho ou em setembro? Taxa Selic estaciona em 14,25% ao ano ou em 14,5%? Essas são as questões que dividem os analistas depois da leitura do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), referente ao segundo quarto do ano, divulgado ontem pelo Banco Central.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2015 | 02h02

As dúvidas derivam da constatação, registrada no documento, de que, mesmo depois do endurecimento do Copom, a inflação ainda resiste e não fechará 2016 no centro da meta de 4,5%, como anteriormente projetado pelo BC. Com informações e projeções atualizadas até meados de junho, o centro da meta agora só aparece no horizonte em fins do primeiro semestre de 2017.

Essa não é a única previsão que piorou desde a publicação do RTI do primeiro trimestre. A inflação acumulada em 12 meses para 2015 avançou de 7,9% para 9%. Já a variação estimada do PIB recuou de -0,5% para -1,1%. Chama a atenção a estimativa de contração nos investimentos. Também caíram as projeções para o consumo das famílias e dos gastos do governo, que deverão recuar, segundo o RTI, 0,5% e 1,6%, respectivamente. Não por coincidência, os "sinais de distensão no mercado de trabalho", anotados no relatório anterior, deram lugar ao "início de um processo de distensão no mercado de trabalho".

Um parágrafo novo incluído no Relatório de junho explicita uma aparente contradição. Ao mesmo tempo em que observa estarem as expectativas de inflação próximas do centro da meta, nos horizontes mais longos, o BC destaca que, para o final de 2016, essas mesmas expectativas ainda não se alinharam com a meta.

Os analistas interpretaram a mensagem como indicação de que o BC considera o aperto monetário em curso suficiente para que o centro da meta fosse alcançado na primeira metade de 2017. O esforço adicional previsto para a reunião do Copom de julho e, quem sabe, a de setembro, teria como objetivo consolidar a tendência.

Tanto é assim que se formou, depois do Relatório de ontem, um quase consenso de que o BC começará a derrubar os juros a partir do primeiro semestre do ano que vem até 12% no fim de 2016.

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