Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30/09/2019
Marcello Casal Jr/Agência Brasil - 30/09/2019

Economistas do mercado financeiro elevam projeções para inflação deste ano, que se distancia da meta

Estimativa avançou de 5,15% para 5,38%, segundo Relatório Focus; objetivo a ser perseguido este ano é de 3,50%

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2022 | 08h47
Atualizado 31 de janeiro de 2022 | 09h18

BRASÍLIA - Após nova surpresa para cima no IPCA-15 de janeiro (0,58%), economistas do mercado financeiro deram um salto nas projeções do IPCA, o índice de inflação oficial, de 2022, aumentando a distância do teto da meta deste ano (5%).

A estimativa avançou de 5,15% para 5,38%, de 5,03% há um mês, segundo Relatório Focus, publicado nesta segunda, 31, pelo Banco Central. O objetivo a ser perseguido este ano é de 3,50%, com tolerância de 2,0% a 5,0%. Ou seja, o Boletim Focus segue indicando o segundo ano consecutivo de rompimento da meta, após o desvio de 4,81 pontos porcentuais do IPCA de 2021 (10,06%).

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC precisa enviar uma carta aberta ao ministro da Economia para se explicar. Na justificativa que deu para ter descumprido a meta de 2021, Roberto Campos Neto disse que a inflação faz parte de um processo global de aumento de preços.

A expectativa para o IPCA em 2023 também voltou a subir, de 3,40% para 3,50%, se afastando do centro da meta (3,25%, banda de 1,75% a 4,75%). A estimativa era de 3,41% há quatro semanas.

A projeção para 2024 continuou em 3,0%, assim como a de 2025 (3,0%). Há quatro semanas, ambas as projeções eram de 3,0%.

A meta para 2024 é de 3,0%, com margem de 1,5 ponto porcentual (de 1,5% para 4,5%). Para 2025, por sua vez, a meta ainda não foi definida pelo CMN.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 4,7% em 2022 e 3,2% em 2023. O colegiado elevou a Selic em 1,5 ponto porcentual, para 9,25% ao ano.

Juros básicos

Apesar da deterioração do cenário inflacionário doméstico e do ambiente externo, os economistas do mercado financeiro mantiveram a projeção para a Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, em 11,75% no fim de 2022. Há um mês, era de 11,50%. Mas, considerando apenas as 94 respostas nos últimos cinco dias úteis, a expectativa para a Selic no fim deste ano avançou de 11,75% para 11,88%.

Após subir a Selic em 1,50 ponto porcentual, de 7,75% para 9,25% ao ano, o Copom indicou, no comunicado de dezembro, mais um aumento da mesma magnitude na reunião que ocorre esta semana, o que levaria a taxa a 10,75%.

O colegiado afirmou que irá perseverar na estratégia de aperto monetário "até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas", preocupado com o aumento das projeções de inflação e o risco de descolamento da inflação em prazos mais longos.

No Boletim Focus, o cenário para a taxa básica de juros da economia foi mantido para os anos seguintes. A estimativa do Focus para a taxa Selic no fim de 2023 continuou em 8%, ante igual taxa há quatro semanas. Para 2024, ficou em 7%, mesmo porcentual de um mês atrás. Da mesma forma, a previsão para o fim de 2025 continuou em 7%, repetindo a taxa de quatro semanas atrás.

PIB

O Relatório de Mercado Focus também mostrou aumento marginal na previsão mediana para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022, que passou de 0,29% para 0,30%. Há um mês, a estimativa era de 0,36%.

Considerando apenas as 58 respostas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa para o PIB no fim de 2022 passou de 0,41% para 0,32%.

O Boletim não traz mais a expectativa para o resultado do PIB do ano passado. Para 2023, a mediana cedeu, de 1,69% para 1,55% - de 1,80% há quatro semanas.

Para 2024, a estimativa seguiu em 2,00%, mesma projeção de quatro semanas atrás. O Relatório Focus ainda trouxe a mediana para 2025, que também continuou em 2,0%. Há um mês, a estimativa de crescimento do PIB em 2025 já era de 2,0%.

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