Relatório já indicava 'sinais de reversão', diz BC

Para rebater críticas de parte do mercado, que alega ter sido pega de surpresa com a decisão de elevar em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic na semana passada, o Banco Central defendeu na ata divulgada ontem que a perspectiva de mudança no ritmo de alta do juro - que vinha sendo mais forte, em 0,75 ponto porcentual - já havia sido previamente sinalizada no Relatório Trimestral de Inflação, divulgado em junho. Ou seja, a autoridade monetária tentou sutilmente jogar para o mercado a conta da surpresa sobre a decisão.

Fernando Nakagawa, Fabio Graner BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2010 | 00h00

Na ata publicada ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que a recente queda das projeções de inflação "vai ao encontro da visão expressa no último Relatório de Inflação", documento em que o BC já observaria "sinais de reversão" dos preços. Mas analistas econômicos rechaçam a tese. De fato, o relatório divulgado 20 dias antes da reunião, foi interpretado pelo mercado como mais um elemento do discurso duro da autoridade monetária sobre os riscos da atividade econômica elevada.

"Aparentemente, os documentos anteriores foram extremamente conservadores e rigorosos, o que criou uma percepção diferente daquela que o BC julgava mais adequada", disse o superintendente do Banco Banif, Rodrigo Trotta. O economista-chefe da Ativa Corretora, Arthur Carvalho, afirmou que na ata divulgada ontem o BC "escolheu apenas ressaltar os indicadores que corroboravam o seu cenário mais róseo". Enquanto isso, afirma, o mercado de trabalho, "não foi mencionado como fator de risco".

Além do eventual erro do BC na comunicação com o mercado, muitos economistas têm a sensação de que pode ter havido equívoco na leitura de dados econômicos e que a atividade econômica ainda é fonte importante de risco para a inflação.

Mas o BC já encontra defensores nos bastidores do governo. Fontes da equipe econômica avaliam que as reclamações do mercado estão mais ligadas às perdas obtidas por apostas erradas do que por uma falha de comunicação do Copom.

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