Relatório secreto prevê explosão social na Argentina

Uma alta fonte do governo argentino revelou à Agência Estado que o presidente Eduardo Duhalde tem em mãos um relatório secreto, elaborado pela inteligência argentina e por consultores políticos e sociólogos, que prevê uma nova explosão social nos primeiros dias de março. A declaração do ministro do Interior, Rodolfo Gabrielli, feita hoje, de que a Argentina corre o risco de sofrer uma explosão social nas províncias confirma a informação.Segundo o analista político, Ricardo Rouvier, o governo tem de correr contra o relógio porque o "equilíbrio que necessita é muito difícil de ser sustentado". Ele cita que a negociação com as províncias se realiza em plena tensão do governo que está encurralado pelo "olhar firme e rigoroso do FMI e pela crise interna".Rouvier também diz que a "descontentamento social está a ponto de inundar o país. A capacidade de persuasão do governo é mínima e a possibilidade da volta da repressão espanta a todos", afirmou. O analista político considera que a aliança que sustenta o governo é débil demais para ser mantida até 2003. No entanto, lembra que "se este governo for arrastado pela crise econômica, financeira e política, ficará somente o abismo institucional".Falta de carismaEm entrevista à Agência Estado, Ricardo Rouvier explica que o abismo institucional é um dos piores cenários a curto prazo porque implica em que o país poderá ficar "desgovernado" durante o período de transição, entre a destituição do presidente e a convocação de novas eleições com a posse do presidente a ser eleito. Ele destaca que a falta de carisma de Eduardo Duhalde o ajuda a não ter o apoio e um voto de confiança por parte da população, "apesar de que está negociando com o FMI e de ter reatado a cordialidade e o apoio do Brasil, além de estar retomando a integração do Mercosul", afirma.Ele considera que Duhalde está fazendo o que pode dentro do atual contexto, porém "nem ele, nem nenhum político argentino conseguirá, neste momento, a simpatia da população", ressaltou. Rouvier descarta a possibilidade de um golpe militar mas reafirma que a "revolta popular não está longe de acontecer porque os sinais já estão claros nos atos de violência dos protestos contra os bancos e nas ações dos piqueteiros que conseguem isolar a capital federal do resto do país com seus bloqueios de rodovias".O analista adverte para o fato de que se a ajuda de alimentos demorar muito em chegar à população mais pobre também poderá haver novos saques em supermercados e comércio. Nesse sentido, os comerciantes de Buenos Aires farão uma assembléia hoje à tarde para discutir como poderão proteger-se de uma nova onda de saques.Leia o especial

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