Relatório sobre o BVA será prorrogado

Interventor do Banco Central pediu mais tempo para concluir a análise das reais condições da entidade financeira; prazo original vencia ontem

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h03

O interventor do Banco Central (BC) no BVA, Eduardo Félix Bianchini, pediu prorrogação do prazo para elaborar o relatório e o balanço que mostrarão as reais condições da instituição financeira. O prazo original vencia ontem, exatos dois meses após o BC entrar no banco. Bianchini tem mais 60 dias para terminar o trabalho, mas, segundo fontes que acompanham o assunto, pretende finalizá-lo na segunda quinzena de janeiro.

O relatório é fundamental para que o próprio Banco Central e eventuais interessados no BVA saibam se o banco é viável e se poderá continuar funcionando. O Estado apurou que há três potenciais compradores.

Um deles é o controlador do grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, que teria cerca de R$ 600 milhões presos no banco. Ele já levou aos controladores da instituição, ao BC e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) um esboço de proposta pelo BVA. Mas a proposta definitiva só poderá ser apresentada após o levantamento completo dos números. Os outros dois interessados, até o momento, estariam apenas buscando informações sobre o banco.

Parte do trabalho de avaliação está sendo feita pela equipe liderada por Bianchini. Outra parte é coordenada pelo banco de investimentos BR Partners, contratado pelo FGC, que já pagou cerca de R$ 1 bilhão aos clientes do BVA e, com isso, se tornou o principal credor do banco.

A expectativa de pessoas envolvidas com o assunto é de que o trabalho do BR Partners esteja concluído até amanhã. Ainda segundo fontes próximas do processo, o BVA teria até agora um passivo a descoberto de cerca de R$ 1,5 bilhão. Esse número pode crescer ou diminuir.

O buraco é fruto, principalmente, de garantias de créditos concedidos pelo banco. O BVA tinha como característica emprestar para empresas de médio porte e deixar a maior parte do débito para ser liquidada no final do contrato. Como contrapartida, exigia garantias, como imóveis.

Entre os ativos do banco constam pouco mais de R$ 300 milhões em imóveis executados por inadimplência. O problema é que, em muitos casos, a documentação do imóvel está incompleta. Não há, por exemplo, certidão de registro em cartório.

O mesmo ocorre com imóveis que são garantia de empréstimos que ainda estão na carteira. A legislação obriga o Banco Central a fazer provisões para todos esses empréstimos com garantias duvidosas. Por isso, a conta do passivo total estaria perto de R$ 1,5 bilhão.

Se as garantias se revelarem reais, o buraco final será menor. Em compensação, a apuração dos números pelos técnicos poderá revelar passivos que até agora não apareceram e, consequentemente, inviabilizar o funcionamento do banco - e, evidentemente, abortar qualquer possibilidade de que seja vendido.

Procurado, Bianchini preferiu não se pronunciar.

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