Relatório sobre Orçamento dos EUA destaca desafios de Obama

O déficit orçamentário dos Estados Unidos continuará em níveis não vistos desde a Segunda Guerra Mundial, disseram nesta terça-feira analistas do Congresso por meio de um relatório que expõe o grande desafio do presidente Barack Obama, que deseja criar empregos e cortar gastos ao mesmo tempo.

ANDY SULLIVAN,

26 Janeiro 2010 | 16h41

Obama, que não tem se saído bem em pesquisas, deve propor um congelamento de três anos em programas de gastos domésticos e um esboço de outras medidas para controlar déficits orçamentários recordes em seu discurso à nação na quarta-feira.

O Escritório de Orçamento do Congresso, que não é filiado a nenhum partido, disse que o "rombo" para o atual ano fiscal deve chegar a 1,35 trilhão de dólares, uma leve melhora ante a previsão de 1,38 trilhão de dólares feita em agosto do ano passado.

Mas o escritório alertou que o rápido crescimento da dívida pública federal pode sufocar a economia caso Obama e o Congresso não aumentem as receitas ou cortem gastos.

O déficit é pouco menor que o recorde de 1,4 trilhão de dólares registrado no último ano fiscal, que acabou em setembro de 2009. Mas, representando 9,2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), o buraco nas contas públicas ainda se mantém em patamares não vistos desde a Segunda Guerra Mundial.

"No limite, isso deve fazer você se sentir melhor (com relação ao déficit). É suavemente positivo", afirmou Mark Pawlak, estrategista de mercado da Keefe Bruyette & Woods, em Nova York.

Isso trará um pouco de conforto aos democratas do presidente Obama, que enfrentam severas críticas de republicanos por conta de gastos e um aumento da preocupação antes das eleições para o Congresso em novembro.

"Parece que o céu é o limite para a maioria democrata, que gasta e empresta dinheiro", afirmou o senador Judd Gregg, principal republicano no comitê orçamentário.

O comitê projetou que os déficits cairão abaixo de 3 por cento do PIB na metade da década, nível visto por muitos analistas como sustentável.

Essa previsão exige que o Congresso mantenha várias medidas de isenção fiscal que devem expirar em breve em vez de renová-las, o que provavelmente não vai acontecer. Steny Hoyer, segundo mais importante democrata na Câmara dos Deputados norte-americana, disse nesta terça-feira que os democratas vão trabalhar para manter os incentivo fiscais à classe média.

As medidas de corte no Orçamento também podem entrar em conflito com outra prioridade dos democratas: derrubar a taxa de desemprego no país, que atualmente está em 10 por cento. Um pacote voltado ao mercado de trabalho aprovado pela Câmara em dezembro deve chegar a 155 bilhões de dólares. O Senado está preparando uma medida similar.

(Colaborou Donna Smith)

Mais conteúdo sobre:
MACRO, EUA, ORCAMENTO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.