Relatório sobre Orçamento dos EUA destaca desafios de Obama

Escritório de Orçamento do Congresso diz que o "rombo" para o atual ano fiscal deve chegar a US$ 1,35 trilhão

Reuters,

26 Janeiro 2010 | 16h39

O déficit orçamentário dos Estados Unidos continuará em níveis não vistos desde a Segunda Guerra Mundial, disseram nesta terça-feira, 26, analistas do Congresso por meio de um relatório que expõe o grande desafio do presidente Barack Obama, que deseja criar empregos e cortar gastos ao mesmo tempo.

Obama, que não tem se saído bem em pesquisas, deve propor um congelamento de três anos em programas de gastos domésticos e um esboço de outras medidas para controlar déficits orçamentários recordes em seu discurso à nação na quarta-feira, 27. O Escritório de Orçamento do Congresso, que não é filiado a nenhum partido, disse que o "rombo" para o atual ano fiscal deve chegar a US$ 1,35 trilhão, uma leve melhora ante a previsão de US$ 1,38 trilhão feita em agosto do ano passado.

Mas o escritório alertou que o rápido crescimento da dívida pública federal pode sufocar a economia caso Obama e o Congresso não aumentem as receitas ou cortem gastos.

O déficit é pouco menor que o recorde de US$ 1,4 trilhão registrado no último ano fiscal, que acabou em setembro de 2009. Mas, representando 9,2% do Produto Interno Bruto (PIB), o buraco nas contas públicas ainda se mantém em patamares não vistos desde a Segunda Guerra Mundial.

"No limite, isso deve fazer você se sentir melhor (com relação ao déficit). É suavemente positivo", afirmou Mark Pawlak, estrategista de mercado da Keefe Bruyette & Woods, em Nova York. Isso trará um pouco de conforto aos democratas do presidente Obama, que enfrentam severas críticas de republicanos por conta de gastos e um aumento da preocupação antes das eleições para o Congresso em novembro.

"Parece que o céu é o limite para a maioria democrata, que gasta e empresta dinheiro", afirmou o senador Judd Gregg, principal republicano no comitê orçamentário. O comitê projetou que os déficits cairão abaixo de 3% do PIB na metade da década, nível visto por muitos analistas como sustentável.

Essa previsão exige que o Congresso mantenha várias medidas de isenção fiscal que devem expirar em breve em vez de renová-las, o que provavelmente não vai acontecer. Steny Hoyer, segundo mais importante democrata na Câmara dos Deputados norte-americana, disse nesta terça-feira que os democratas vão trabalhar para manter os incentivo fiscais à classe média.

As medidas de corte no Orçamento também podem entrar em conflito com outra prioridade dos democratas: derrubar a taxa de desemprego no país, que atualmente está em 10%. Um pacote voltado ao mercado de trabalho aprovado pela Câmara em dezembro deve chegar a US$ 155 bilhões. O Senado está preparando uma medida similar.

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