Divulgação/Marinha
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Relatórios da Marinha apontam defeitos em plataforma desde 2009

Capitania dos Portos afirma que problemas apresentados no último relatório, de 2014, tinham sido sanados

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 22h26

Relatórios de inspeção elaborados pela Capitania dos Portos do Espírito Santo, um braço da Marinha, obtidos pelo Estado, apontam que o navio-plataforma FPSO Cidade de São Mateus apresentava uma série de falhas nos sistemas de segurança desde 2009. 

Construído em 1988, o navio é operado pela empresa norueguesa BW Offshore e afretado pela Petrobrás desde 2009 para a produção de óleo e gás na camada pós-sal dos campos de Camarupim e Camarupim Norte, a 120 km da costa do Espírito Santo. A mesma Capitania dos Portos, que produziu os relatórios apontando as falhas, decidiu abrir inquérito para apurar as causas e as responsabilidades na explosão. O prazo das investigações é de 90 dias. 

A reportagem teve acesso aos relatórios elaborados pela própria Marinha de 2009 até 2014. No documento mais recente, datado de abril do ano passado, o inspetor naval Agostinho Sobral Sampaio apontou 12 irregularidades na plataforma. À época, a Marinha alertava para defeitos no sistema de detecção de incêndio e gás. Além disso, destacava “pontos de alto grau de corrosão” em algumas regiões do navio. 

Deficiências nas estruturas de combate a incêndios aparecem nos relatórios da Capitania dos Portos desde 2009. Naquele ano, duas perícias foram realizadas na plataforma. Na primeira, datada de fevereiro, os peritos detectaram que o sistema de combate a incêndios do navio não estava funcionando. Além disso, a Marinha encontrou outros seis problemas, entre eles falhas nos botes de resgate existentes no navio. “Botes de resgate não podem ser testados devido a defeito no sistema de lançamento e recolhimento”, diz o documento assinado pelo inspetor naval Raimundo Herculano de Sousa. 

Os peritos voltaram à plataforma em setembro do mesmo ano e listaram novamente 12 irregularidades, algumas das quais já estavam contidas no relatório elaborado sete meses antes. O ano seguinte foi quando a Marinha detectou o maior número de falhas na FPSO Cidade de São Mateus: foram 40, segundo o relatório. Em uma delas, o perito assinala que “os sistemas de detecção de incêndio não estavam comissionados”. 

Conformidade. Procurada, a Capitania dos Portos do Espírito Santo informou, por meio de nota, que as discrepâncias apontadas no ano passado tinham sido sanadas pelo operador da plataforma. “Em 29 de maio de 2014, foi emitida a Declaração de Conformidade para Operação da Plataforma, documento que autoriza a sua operação em águas brasileiras, com validade até 3 de abril de 2015”, diz a nota. “Cabe ressaltar que, em relação ao acidente ocorrido em 11 de fevereiro de 2015, as deficiências anotadas durante a perícia inicial não indicavam nenhuma discrepância em relação aos equipamentos e sistemas de segurança da casa de bombas da unidade, local onde teve origem o acidente.” 

Também procurada, a Petrobrás orientou a reportagem a buscar informações com a BW Offshore, a operadora do navio-plataforma. Pela assessoria de imprensa, a empresa norueguesa enviou como resposta aos questionamentos feitos pela reportagem a declaração de conformidade para a operação da FPSO Cidade São Mateus, emitida pela Capitania dos Portos do Espírito Santo em 29 de maio de 2014.

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