NELSON ALMEIDA / AFP
NELSON ALMEIDA / AFP

Relembre a cronologia da disputa entre o governo e Rodrigo Maia

Em troca de farpas por meio de declarações e nas redes sociais, o Executivo e o presidente da Câmara levaram tensão ao mercado financeiro, que encerrou a última semana com um tombo de 5,45%

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2019 | 11h48

Na semana passada, uma troca de farpas envolvendo o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, levou muita tensão aos mercados financeiros. A aprovação da reforma da Previdência, tida como ponto fundamental para a economia  voltar a crescer de forma sustentável, começou a ser questionada por analistas, já que Maia é o principal articulador da proposta na Câmara.

A Bolsa de Valores, que na última segunda-feira, 18, chegou a atingir o nível recorde de 100 mil pontos, despencou, fechando a semana na casa dos 93 mil pontos. Veja como seu deu essa disputa.

Cronologia de uma disputa verbal

21/03 – Quinta-feira

Uma postagem no Twitter do vereador Carlos Bolsonaro foi o estopim para a disputa verbal entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e o presidente Jair Bolsonaro, que se estendeu até o final de semana. “Há algo bem errado que não está certo!”, escreveu o filho “02” do presidente.

A frase era um comentário em relação à cobrança que o ministro da Justiça, Sérgio Moro,  fez a Maia para que colocasse logo em tramitação o projeto anticrime enviado ao Congresso. O presidente da Câmara disse então ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que, se for para ser atacado nas redes sociais por filhos e aliados de Bolsonaro, é sinal de que o governo não precisa de sua ajuda para aprovar a reforma da Previdência – ou seja, ele poderia deixar a articulação do projeto. No Instagram, Carlos Bolsonaro voltou a provocar Maia: “Por que o presidente da Câmara anda tão nervoso?”, escreveu.

22/03 – Sexta-feira

Em visita ao Chile, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não havia dado motivos para que  Rodrigo Maia deixasse a articulação política para a aprovação do projeto da reforma da Previdência.  “Estou sempre aberto ao diálogo. Estou fora do Brasil. Quero saber o motivo, só isso e mais nada. Eu não dei motivo para ele sair (da articulação)”, declarou.

Bolsonaro disse ainda que é “só conversando” que será possível trazer Maia de volta ao papel. “Você nunca teve uma namorada e, quando ela quis ir embora, o que você fez? Não pediu para ela voltar? Você não conversou?”, disse.

No Twitter, o filho mais velho de Bolsonaro, o senador Flávio, escreveu que Maia “é fundamental na articulação para aprovar a Nova Previdência e combates de projeto ao crime”. Ele destacou que o presidente da Câmara “está engajado em fazer o Brasil dar certo!”.

Mas Maia deu sinais de que continuava irritado com a situação: “Eu não preciso almoçar, não preciso do café e não preciso voltar a namorar. Eu preciso que o presidente assuma de forma definitiva o seu papel institucional, que é liderar a votação da reforma da Previdência, chamar partido por partido que quer aprovar a Previdência e mostrar os motivos dessa necessidade”, declarou. Em entrevista ao Estado, disse que o governo de Jair Bolsonaro é um “deserto de ideias”.

23/03 - Sábado

No sábado,  Maia tentou jogar água fria na polêmica, e declarou que o atrito entre o Congresso e o Palácio do Planalto em torno da reforma da Previdência era “página virada”.  "Esse assunto de conflito já viramos a página, o que a gente precisa é mostrar para a sociedade que a gente tem responsabilidade, que o governo tem responsabilidade, que o governo vai sair de conflitos nas redes sociais e vai para o mundo real”, disse.

Mas afirmou que o presidente Bolsonaro precisar parar de dizer que é contra a reforma. “Ele não pode ser contra algo que vai mudar a vida dos brasileiros para melhor, ele não pode ser contra algo que vai fazer o Brasil crescer e a gerar emprego, o que ele precisa é ter convicção”, disse.

Ainda no Chile, Bolsonaro disse a empresários chilenos que atritos acontecem no Brasil porque muitos não querem largar a "velha política". Ele também alegou não saber por que Maia andava tão “agressivo” contra ele e declarou que perdoa o parlamentar fluminense, citando problemas pessoais do deputado - referência à prisão do ex-ministro Moreira Franco, seu sogro.

Em São Paulo, Maia não quis comentar as críticas, mas disse crer em “uma distorção na fala do presidente”, quando ele se referiu ao seu suposto "tom agressivo”. “Não uso redes sociais para agredir ninguém, uso para informar os eleitores. Farei sempre a defesa do respeito institucional, como líder da Câmara dos Deputados”, disse.

Domingo - 24/03

Em um jantar na residência de Maia, lideranças do Centrão tentaram "baixar a temperatura" da crise instaurada nos últimos dias. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, o presidente da Câmara quer acalmar os ânimos e seguir com os trabalhos para a aprovação da reforma da Previdência.

Durante o jantar, os parlamentares conversaram sobre o decreto de Bolsonaro que isentou norte-americanos de visto para entrar no Brasil. Na semana passada, um grupo ameaçava retaliar o governo com a aprovação de um projeto que anularia este decreto de Bolsonaro. Segundo um líder, Maia sugeriu que essa estratégia fosse abandonada, justamente para acalmar os ânimos. No entanto, esse recuo ainda não é consenso entre os líderes. Eles devem ainda bater o martelo sobre essa questão no início da semana.

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