Relíquias serão destruídas

Cenário: Sergio Torres

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2012 | 03h09

Milhares de cavernas com vestígios da ocupação pré-histórica da Amazônia tendem a ser destruídas com o início da mineração ferrífera na vertente sul da Serra de Carajás, recém autorizada pelo governo. Não há como preservá-las. A extração só é possível com a demolição dos terrenos em que o minério se deposita.

A descoberta das relíquias arqueológicas, embora não citada no comunicado oficial que a Vale distribuiu ontem, é a razão do atraso do projeto. Pela legislação brasileira, cavernas que tragam informações sobre o passado milenar da população não podem ser destruídas. As cavernas ainda não foram sequer estudadas por especialistas. Há dez anos a existência delas era pouco conhecida, pois aquele trecho da Serra Sul era praticamente virgem, recoberto por florestas e vegetações típicas de terrenos em que há minas de ferro.

Pesquisas feitas nos últimos oito anos por arqueólogos e espeleólogos (estudiosos de cavidades subterrâneas) contratados pela Vale concluíram pela relevância histórica de grande parte das 174 cavernas visitadas em um universo de 250 mapeadas, como mostrou o Estado em 2 de outubro de 2011.

A Vale dividiu Serra Sul em setores A, B, C e D. O projeto de mineração anunciado restringe-se por enquanto ao D. Os quatro estão dentro da Floresta Nacional de Carajás, unidade de proteção ambiental do governo gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Os vestígios arqueológicos começaram a surgir nos últimos dez anos, achados principalmente por pesquisadores patrocinados pela Vale. Foram localizados materiais deixados por caçadores e coletores de frutos que habitaram a região a partir dos últimos 10 mil anos. Os especialistas classificaram as cavernas como de "relevância máxima".

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