Remédio é amargo no início, mas nos adaptamos, diz Ermírio de Moraes

Vice-presidente do conselho da Votorantim, filho de Antônio Ermírio de Moraes defende medidas de ajuste fiscal, mas diz que governo não pode só taxar

Suzana Inhesta, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 14h41

BELO HORIZONTE - O presidente do conselho de administração da Votorantim Metais e vice-presidente do conselho de administração da holding Votorantim, Luis Ermírio de Moraes, disse que os pacotes de ajustes fiscais são "necessários". "Às vezes o remédio é amargo no começo, mas a gente se adapta", afirmou a jornalistas durante o 16º Congresso Brasileiro de Mineração e da Exposição Internacional de Mineração (Exposibram). "Entretanto, o governo não pode só taxar, porque as margens hoje são muito pequenas", ressaltou. 

Filho do empresário Antônio Ermírio de Moraes, falecido no ano passado, Luis ressaltou que as propostas do grupo Votorantim são de médio e longo prazo e que "estamos aqui para dar nossa parcela de contribuição para qualquer ajuste que o governo achar necessário." E intimou o empresariado nacional a fazer o mesmo. "Não podemos é ficar no marasmo como nós estamos diante da situação e ver as coisas acontecerem sem ter proatividade", declarou.

Entretanto, o empresário fez críticas ao governo com relação à falta de políticas industriais de longo prazo, e por falar que não tem alternativa para reversão de déficits. "Quando eles agentes do governo falam que não tem nada para fazer para economizar ou mesmo melhorar as contas, eles precisam viver um dia de uma empresa privada. Nós, companhias, temos que nos reinventar toda hora, com orçamento base zero, redução de pessoal, energia, água, entre outros", falou. "O governo precisa ficar engajado e criar uma política industrial de longo prazo, sem apagar incêndios, com bastante direcionamento. É difícil planejar hoje e isso é desgastante, é improdutivo", completou, dizendo que o País precisa traçar novamente suas diretrizes macroeconômicas e definir o que quer: ser agrícola, industrial ou tecnológico.

"Nos últimos 15 anos, o País não teve uma política industrial consistente, apartidária, de interesse para o desenvolvimento da nação. Hoje, as pessoas estão olhando para o próprio umbigo e esquecendo que o País precisa de uma liderança objetiva", destacou. Questionado sobre se é a favor da renúncia ou saída da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), Moraes não quis comentar, já que há instituições que cuidam do assunto no País. Mas comentou que os brasileiros têm a obrigação de saber "melhor em quem votar, ter mais discernimento", processo esse que "só a educação vai mudar."

Ele defendeu a existência de mais pessoas como o juiz Sergio Moro, para ter coragem de enfrentar um sistema de corrupção que está instalado há muitos anos, que não é crédito apenas do PT, mas é cultural. Além de ter mais pessoas como Antônio Ermírio que, segundo ele, era uma pessoa que sempre acreditava no País.

O empresário ainda declarou que não desmereceria as ações que foram feitas na área social. "Porém, elas não são sustentáveis, porque foram criadas em bases falsas. Não dá para tirar de um bolso que não tem. Então, o empresariado e o contribuinte é quem paga a conta", afirmou. Ele defendeu um governo mais transparente e com políticas coerentes. "O que não pode ter é um governo que não ajuda você a se estabelecer como uma empresa nacional. E nós temos que ter consciência de que as coisas não chegam no curto prazo", disse.

Especificamente sobre o setor de mineração, o presidente do conselho da Votorantim Metais acredita que, com um dólar entre R$ 3,40 e R$ 3,50, a competitividade pode ser retomada. "Mas o movimento precisa ser consistente", reforçou.

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