André Dusek
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Remédio que permitiu ‘marolinha’ no Brasil em 2008 foi estopim da recessão

Liberação de dinheiro de bancos públicos, cortes de impostos e incentivo ao consumo amenizaram o impacto da crise financeira dez anos atrás, mas, segundo economistas, insistência em aplicar essa receita para aquecer economia empurrou o País para situação atual

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 05h00

O próximo sábado vai marcar dez anos de um momento crucial para a economia global: a quebra do banco Lehman Brothers, considerada o início oficial da crise originada na farra de financiamentos imobiliários nos EUA, que, num efeito dominó, derrubou mercados de todo o mundo. Por aqui, o tsunami foi apelidado de “marolinha” pelo governo da época, após medidas de estímulo terem amenizado a recessão. No entanto, uma década mais tarde, enquanto o mundo surfa uma onda positiva, o Brasil ainda luta para se livrar de uma das maiores crises de sua história. E a gênese dessa troca de papéis pode estar precisamente no remédio aplicado pelo País em 2008.

O problema, segundo economistas ouvidos pelo Estado, reside menos nas medidas tomadas há dez anos – liberação de dinheiro de bancos públicos, cortes de impostos e incentivo ao consumo –, mas na insistência em aplicar o mesmo remédio sempre que a economia deu sinais de desaquecimento desde então. “Quando o Brasil voltou a apresentar problemas, no início do governo Dilma Rousseff, a equipe econômica dobrou a aposta. E repetiu o que foi feito em 2008 e 2009, mas numa situação fiscal totalmente diferente”, diz Samuel Pessôa, economista do Ibre/FGV.

Em outras palavras: a política econômica virou um “samba de uma nota só”, levada no batuque da intervenção estatal. A crise de 2008 ajudou a justificar essa fórmula de expansão, pois vários mercados maduros, EUA à frente, endureceram a regulação e injetaram dinheiro na economia, lembra o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita. “A crise de 2008 foi, de certa forma, equivalente à queda do Muro de Berlim. Se a queda do muro provou que o socialismo real tinha falido, a crise financeira validou, para pessoas de um certo viés ideológico, que o neoliberalismo teria falido”, compara.

A turbulência no mundo desenvolvido foi o pretexto para pôr em prática uma posição que era latente no governo Lula desde 2006 – como indicou a escolha de Guido Mantega para substituir Antonio Palocci no Ministério da Fazenda. Do ponto de vista intelectual, a disposição do PT em fazer do Estado o motor central da economia e o fato de a crise ter sido originada na frouxa regulação bancária lá fora juntaram a “fome com a vontade comer”, na visão de Simão Silber, professor da FEA/USP. 

O governo, porém, não comprou sozinho a tese de que a intervenção era necessária, afirma Sérgio Lazzarini, professor do Insper e autor do livro Capitalismo de Laços. “Virou uma cartilha de ação estatal, de apoio e de promoção”, lembra. “Na época eu lembro de conversar com empresários que diziam: ‘É isso mesmo, esse é o nosso modelo’. E perguntavam: ‘você quer ser igual aos Estados Unidos’?”.

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Lehman Brothers quebrou e mudou a economia global

Após dez anos, emergentes estão mais endividados, crescimento europeu ainda não deslanchou e desigualdade mundial está maior

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 05h00

PARIS - Os sinais de que um crash financeiro era iminente já vinham sendo lançados desde agosto de 2007, quando o banco varejista francês BNP Paribas anunciou o congelamento dos saques em três de seus fundos atrelados a créditos imobiliários de alto risco. Tratava-se então, na visão dos europeus, do marco zero da crise dos “subprimes”. Mas foi à 1h45 da manhã de 15 de setembro de 2008, em Nova York, quando o banco Lehman Brothers declarou falência, deixando pendurada um conta de US$ 691 bilhões e 25 mil funcionários na rua, que o mundo mergulhou em um turbilhão financeiro sem precedentes desde o crash de 1929. 

Dez anos depois da quebra do banco de investimentos americano que chocou Wall Street e o mundo das finanças, os efeitos globais da crise ainda se fazem sentir – inclusive no Brasil. Maior falência da história dos EUA, o desaparecimento do Lehman Brothers provocou a pior queda do índice Dow Jones, o principal da bolsa de valores de Nova York, desde os atentados às Torres Gêmeas em 2001. Também desestabilizou de vez o sistema financeiro internacional, abriu as portas para a crise especulativa sobre as dívidas na zona do euro, na UE, e provocou de forma indireta a derrubada do preço das matérias-primas, o que abalou a economia brasileira.

Em razão da reação de governos como os da Europa, que encamparam parte das dívidas do sistema financeiro para debelar uma ameaça sistêmica, ao longo da Grande Recessão, como a década ficou conhecida, a dívida mundial cresceu de 200% do PIB mundial para 244% no final de 2017, segundo dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS), com sede em Basileia, na Suíça. 

“Está claro que o superendividamento maciço das economias avançadas foi um fator de detonação da crise financeira mundial de 2007 e 2008”, analisa o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, autoridade monetária da zona do euro entre 2003 e 2011. “Desde então, o crescimento do endividamento, em especial privado, dos países avançados desacelerou-se, mas essa desaceleração é compensada por uma aceleração do endividamento de países emergentes. É o que torna hoje o sistema financeiro mundial ao menos tão vulnerável, senão mais, do que em 2008.”

Epicentro. Nos Estados Unidos, epicentro da crise, pesquisa do Fed de São Francisco indica que a perda de renda média entre 2007-2017 foi de US$ 70 mil por cidadão americano.

Do outro lado do planeta, a China, sofre ainda hoje os efeitos do endividamento excessivo, contraído no impulso governamental de fomentar a economia. Dependente das exportações, Pequim respondeu à crise lançando em 2008 um pacote de estímulo da ordem de US$ 585 bilhões pelo câmbio atual – com o objetivo de manter o ritmo de crescimento. 

O salto do endividamento causado pelo programa levou a queda no ritmo de importações de commodities, o que marcou o fim do super ciclo das matérias-primas, que financiava o crescimento de países emergentes como o Brasil e a Rússia.

Além de derrubar a performance dessas nações, levando à recessão e desequilibrando suas contas públicas, o fim do ciclo das commodities teve reflexos nas bolsas de valores, com a substituição das companhias multinacionais de energia pelas gigantes de tecnologia. Não por acaso duas delas, Apple e Amazon, têm valores de mercado de US$ 1 trilhão. 

Na zona do euro, os efeitos da crise que ameaçou derrubar a moeda única e arrastar a UE ainda se fazem sentir. Depois de levar Grécia, Irlanda, Espanha e Chipre à lona, exigindo grandes volumes de empréstimos ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a crise das dívidas continua a prejudicar o crescimento. Em média, a UE cresceu menos do que EUA e Japão na última década.

Para Patrick Artus, economista e diretor de Pesquisas e de Estudos do banco de investimentos francês Natixis, apenas em parte a crise europeia foi resolvida. “Tecnicamente resolvemos o problema da dívida na Grécia. Mas não resolvemos o da crise”, entende Arthus, autor do livro A Loucura dos Bancos Centrais – Por que a próxima crise será pior.

Além disso, políticas de austeridade fiscal severas e desequilibradas – na avaliação do FMI – também aprofundaram a desigualdade, ampliando a percepção de grandes segmentos da população de que a globalização beneficia mais ricos do que pobres. Para cientistas políticos, essa convicção ajuda a explicar fenômenos como o Brexit, e a emergência de partidos populistas e de extrema direita em todo o mundo, até nos EUA, onde Donald Trump venceu.

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Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 05h00

GENEBRA - Marianna entrou num hospital público de Atenas há poucos meses para acompanhar sua tia em uma cirurgia de quadril. Ao chegar, foi logo informada que teria de trazer de casa a roupa de cama, travesseiro e até remédios. Se não bastasse, ela teve de pagar ¤ 20 por semana para alugar uma cadeira do próprio hospital para poder ficar ao lado da tia, num quarto pequeno amontoado com outras seis mulheres. “Assim que a operação acabou, o hospital nos pediu para deixar o local, já que precisavam da cama”, conta a grega de 39 anos. 

Em 2015, a reportagem do Estado encontrou Marianna (ela prefere não ver publicado seu sobrenome) percorrendo caixas eletrônicos de Atenas em busca de dinheiro. A liquidez estava por um fio no país. Naquele dia, ela tentou em 15 máquinas e só conseguiu sacar € 70. 

Três anos depois, ela diz considerar uma “ofensa” o tom adotado pelo governo para anunciar, no dia 19 de agosto, o encerramento oficial dos planos de resgate da União Europeia e do FMI para a Grécia. Na prática, isso colocou um ponto final à dependência de mais de ¤ 320 bilhões. O dinheiro foi usado para salvar a Grécia da falência, depois que a crise internacional que começou em 2008 se espalhou pelo mundo e secou o mercado financeiro. 

Para o governo local, o fim do resgate significa a abertura de um caminho para uma nova era de independência financeira. As autoridades também apontam que a economia dá sinais de crescimento e a crise da dívida, que por pouco não enterrou o euro, foi declarada como superada. “Falar do fim da crise é uma grande piada”, diz Marianna. 

A experiência vivida pela moradora de Atenas e sua tia reflete a redução dos investimentos públicos em saúde no país. Um estudo publicado na revista médica The Lancet mostra que, entre 2009 e 2014, os gastos caíram de US$ 2,2 mil por pessoa por ano para apenas US$ 1,5 mil. Ao mesmo tempo, a mortalidade aumentou. No início do século, eram 944 mortes para cada cem mil pessoas. Em 2016, 1174. Nesse período, a taxa global recuou de 842 para 739. Recém nascidos passaram a morrer de doenças que poderiam ser tratadas. “A austeridade matou muita gente na Grécia”, diz o médico Giorgos Vichas, que criou uma clínica comunitária em Helliniko. 

Para membros do governo, nem tudo é desastroso e avanços também foram registrados. O país passou de um déficit fiscal de 15% do PIB para um superávit de 0,8% do PIB. Uma agência independente de coleta de impostos foi criada, o Estado ficou mais enxuto, o sistema de pensão passou por reformas e uma mudança nas leis trabalhistas ajudou empresas a serem mais competitivas para poder exportar. 

Em 2017, a economia cresceu em 1,4% e deve voltar a ter índices positivos em 2018. Mas o grande desafio agora é pagar os credores e suas condições ainda são impostas. Para terminar de pagar sua dívida, a Grécia precisa manter um superávit em suas contas até 2022 de 3,5%. A partir de então e até o ano de 2060, o superávit terá de ser em média de 2,2%.

O problema, porém, é a dimensão do custo social. No total, a Grécia viu seu PIB encolher em 27%. Em junho, temendo perder 10 mil postos de trabalho, os catadores de lixo de Atenas entraram em greve. O resultado foi um acúmulo de toneladas de lixo pelas ruas da capital, que vivia uma onda de calor. Em maio, uma greve geral de 24 horas, paralisou escolas, transporte público e hospitais. 

O ambicioso plano de privatização jamais deu os resultados esperados. Em 2011, previa-se que, ao vender 71 mil ativos do estado, o país poderia arrecadar ¤ 50 bilhões. Metade iria para pagar a dívida. Sete anos depois, o plano apenas arrecadou ¤ 6 bilhões. Para 2019, o governo promete vender mais ¤ 3 bilhões, com a privatização do aeroporto de Atenas, de uma empresa de gás e de uma refinaria.

O fim do resgate é apenas parte de uma história que acumulou aumento de impostos, cortes de gastos e uma depressão econômica. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o resultado foi a explosão no número de pobres, que hoje representam 30% dos 10 milhões de gregos.

“A crise não acabou”, disse ao Estado o ex-ministro de Finanças da Grécia, Gikas Hardouvelis. “Para muita gente, não fez qualquer diferença o fim do memorando (do resgate). A vida de todos foi afetada, seja pela renda, habilidade de sobreviver, ter emprego. A crise está presente e os desafios para o futuro são enormes”, alertou. 

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"Deixamos para trás um colonialismo imposto", diz líder do Syriza

Para Dimitrios Papadimoulis, vice-presidente do Parlamento Europeu, a Grécia inicia um novo ciclo de sua história e conseguiu colocar fim à tutela da Europa e seus credores

Entrevista com

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 05h00

GENEBRA - A Grécia inicia um novo ciclo de sua história e conseguiu colocar fim à tutela da Europa e seus credores. Essa é a avaliação de Dimitrios Papadimoulis, vice-presidente do Parlamento Europeu, ex-deputado grego e membro da direção do Syriza, o partido que desde 2015 governa Atenas. Em entrevista ao Estado, ele admitiu que, apesar de o país entrar em uma nova fase, serão necessário “anos” para que o povo volte a ter o mesmo padrão de vida que existia antes da crise. Eis os principais trechos da entrevista: 

Em que estado está a Grécia hoje?

Estamos fora do memorando de entendimento (dos pacotes de resgates), depois de um período duro, depois de muita dor, cortes de salários, pensões e direitos sociais. O colapso de nossa economia foi o resultado de uma década de governos desastrosos. Agora, nosso partido, o Syriza, colocamos um fim à isso, com muitos compromissos e cedendo em vários pontos. Mas vemos uma recuperação da economia. 

Quais são as perspectivas de crescimento? 

Para 2018, a estimativa é de que iremos crescer em 2% e essa taxa vai se fortalecer nos próximos anos. O desemprego caiu de 27% para 19,5%, mas que é ainda muito elevado. Temos ainda o desafio da migração e dos refugiados. Mas temos também uma realidade que é a dos partidos de extrema-direita na Europa que passaram a impor um dogma de não se compartilhar responsabilidades no continente. 

O que esperar da situação social a partir de agora?

Faremos um aumento gradual de salários e a recuperação de direitos, baseados nas reais capacidades e em investimentos. Não podemos dizer que temos um presente glorioso. Mas deixamos para trás um colonialismo imposto. Depois de muito tempo, a Grécia está de volta. 

O sr. acredita que os padrões de vida que existiam antes da crise um dia podem ser recuperados?

Teremos de trabalhar por muitos anos para reconquistar os padrões de vida que tínhamos. A realidade é que, entre 2000 e 2009, gastamos o que não tínhamos. Vimos governos que estavam baseados em clientelismo, contratos para as oligarquias locais e corrupção. Realizamos uma Olimpíada que saiu mais cara que os Jogos de Londres, em 2012. E tudo isso colocamos nos ombros do povo. 

O que precisa mudar?

Precisamos crescer e construir um futuro baseado em um chão sólido. Não será fácil. Mas precisamos seguir esse caminho. 

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'Modelo Brasil' ignorou resto do mundo

Insistência na ampliação de gastos do governo trouxe efeitos negativos para a economia que ainda levarão anos para serem compensados

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2018 | 05h00

A longa aposta do Brasil na intervenção estatal para fomentar o crescimento foi a opção oposta à adotada por nações desenvolvidas. Os EUA, por exemplo, injetaram bilhões em bancos e empresas combalidas, incluindo a montadora GM, mas os subsídios foram retirados aos poucos. Para economistas, os números brasileiros mostram que a estratégia local foi equivocada.

A retração da economia em 2015 e 2016 foi tão forte que o efeito no Produto Interno Bruto (PIB) per capita só deve ser compensado em 2023, nas contas do economista Simão Silber, da FEA/USP. 

O economista Samuel Pessôa, do Ibre/FGV, diz que, após a euforia da alta de 7,5% do PIB em 2010, que pôs o Brasil como exemplo de prosperidade na capa da revista The Economist, a desaceleração que começou em 2011 foi vista como um mal a ser combatido com todas as armas: “Reproduziu-se, então, o diagnóstico (para os problemas da economia), apesar de o remédio já ter sido exagerado mesmo em 2009”, diz Pessôa. Para definir a insistência no receituário, Silber recorre a um conceito atribuído a Albert Einstein: “Loucura é continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes.”

No governo Dilma, o encadeamento das decisões do governo se encaixa em um padrão que o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, classifica de moto perpetuo. Silber diz que essa narrativa começa a ficar mais clara a partir de agosto de 2011, quando há uma “limpeza” no Banco Central que abre caminho para uma série de intervenções do governo. 

A partir daí, foram várias as medidas contraditórias, aponta Pessôa: queda de juros em cenário de inflação em alta, congelamento de preços do petróleo e corte nas tarifas de energia elétrica por canetada, ampliação das desonerações a setores específicos e do papel do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) no financiamento a grandes empresas. “Até se insistiu na criação da indústria naval, que é algo caro e já tinha dado errado nos anos 1950, com JK, e nos anos 1970, com (Ernesto) Geisel”, diz o professor do Ibre/FGV.

À medida que o governo ampliou gastos, a situação fiscal se deteriorava e a economia reagiu muito pouco. Um “motim” entre os funcionários do Tesouro Nacional, noticiado pelo Estado à época, denunciou a prática das pedaladas fiscais – que consistia no adiamento de pagamentos que o governo deveria fazer a bancos e também a órgãos como o INSS. 

Com a eleição marcada para o ano seguinte, no entanto, não havia espaço para mudança de rota naquele momento, aponta Sérgio Lazzarini, professor do Insper: “Então, nessa situação, a solução foi pedalar, jogar as contas dos subsídios explícitos do BNDES para frente e maquiar resultados para dizer que estava tudo bem.”

Futuro. Apesar dos efeitos catastróficos para a economia – que se refletiram no maior período de retração econômica do País em 120 anos –, os economistas concordam que o atual debate eleitoral não reflete uma consolidação em direção a medidas mais austeras na economia, com corte de gastos e reformas. 

A explicação para essa resistência pode ser histórica, na opinião de Mesquita, do Itaú Unibanco, pois o brasileiro está acostumado a ver o governo como provedor. “A ideologia (da intervenção) não é nova. Começa na década de 1930 do século passado, com (Getúlio) Vargas, continua com Juscelino Kubitschek e com os militares”, disse o economista. “A ideia de crescimento liderado pelo Estado têm seus adeptos à esquerda e à direita do espectro político.”

Silber, da USP, alerta, no entanto, que a mudança na trajetória dos gastos públicos é urgente. O direcionamento que foi apenas esboçado pela administração Michel Temer, segundo ele, precisa ser implementado – e rapidamente – pelo próximo governo. “Estamos na beira do precipício. Dependendo do governo que vier por aí, corremos o risco de perder o controle sobre a economia.”

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