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Mariana Machado/Estadão
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Remédios e alimentos fazem famílias mais pobres sentirem o dobro da inflação dos mais ricos em abril

Segundo indicador por faixa de renda do Ipea, a inflação para famílias com renda inferior a R$ 1.650 foi de 0,45% em abril e ficou em 0,23% para aquelas que ganham mais de R$ 16.509 por mês

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2021 | 12h57

RIO - A alta nos preços dos medicamentos e dos alimentos fez a inflação dos mais pobres encerrar o mês de abril duas vezes maior que a dos mais ricos, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda registrou uma desaceleração da pressão inflacionária em abril ante março em todas as faixas de renda, interrompendo a tendência de crescimento sentida por dois meses consecutivos. No entanto, o alívio foi menor entre as famílias mais pobres, com renda domiciliar inferior a R$ 1.650,50, a variação dos preços passou de 0,71% em março para 0,45% em abril.

Entre as famílias de renda mais alta, que recebem mais de R$ 16.509,66 mensais, a inflação arrefeceu de 1,00% em março para 0,23% em abril. Entre os de renda média alta, com rendimento domiciliar mensal entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66, a inflação desacelerou de 1,08% para 0,20% no período.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usado pelo Ipea para fazer o cálculo da inflação por faixa de renda, encerrou o mês de abril com avanço de 0,31%, ante uma elevação de 0,93% em março.

Os gastos com saúde, turbinados pelos reajustes nos preços dos medicamentos autorizados pelo governo, deram a principal contribuição para a inflação da baixa renda em abril, 0,20 ponto porcentual, seguidos pelo encarecimento dos alimentos, 0,14 ponto porcentual, especialmente das proteínas de origem animal, como carnes, aves, ovos e leites e derivados. O alívio veio da redução na conta de luz e na tarifa de ônibus intermunicipais, além do aumento menos agudo no gás de botijão, apontou o Ipea.

“Além de terem menor impacto com o aumento dos medicamentos e alimentos, as famílias mais ricas contaram com a deflação de 0,9% dos combustíveis e de 11,3% dos transportes por aplicativo e também com a desaceleração dos preços dos serviços pessoais. Esse alívio só não foi maior para esses domicílios por causa do aumento de 6,4% do preço das passagens aéreas”, apontou a técnica do Ipea Maria Andréia Parente Lameiras, na Carta de Conjuntura divulgada nesta sexta-feira, 14.

A inflação acumulada em 12 meses até abril foi de 7,71% para as famílias mais pobres, patamar bem acima dos 5,21% observados no segmento mais rico da população.

O indicador do Ipea separa por seis faixas de renda familiar as variações de preços medidas pelo IPCA. Os grupos vão desde uma renda familiar de até R$ 1.650,50 por mês, no caso da faixa com renda muito baixa, até uma renda mensal familiar acima de R$ 16.509,66, no caso da renda mais alta.

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