Remessa de empresas dobra e muda perfil de contas externas

Lucros enviados ao exterior somam US$ 18,993 bilhões no 1º semestre, quase 94% maior que no ano passado

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

28 de julho de 2008 | 13h17

O envio de lucros e dividendos (recursos que as empresas multinacionais enviam a suas matrizes) do Brasil para o exterior entre o primeiro semestre de 2007 e igual período de 2008 dobrou. Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Banco Central mostram que as remessas somaram US$ 18,993 bilhões nos seis primeiros meses do ano. O valor é 93,67% maior que o registrado em igual período do ano passado. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, diz que os dados revelam uma mudança estrutural de perfil no balanço de pagamentos. Veja também:Com dólar baixo, gasto de turistas fora do País bate recorde Conta corrente tem o maior déficit semestral desde 1947  A mudança nas contas externas foi gerada por dois movimentos, explica Altamir. Segundo ele, tem aumentado o peso das remessas no resultado geral e, ao mesmo tempo, a importância da despesa com juro tem diminuído. No semestre, o gasto com juros somou US$ 3,356 bilhões, valor que equivale a 17,6% do montante de remessas. No primeiro semestre de 2007, os juros corresponderam a 46% das remessas. Altamir diz que a maior participação das remessas e lucros mostra "uma mudança estrutural" no balanço de pagamentos. O chefe do Departamento Econômico do BC observou que é mais fácil fazer um ajuste nas contas com o novo perfil, já "que lucro só se remete quando tem lucro".  Ele lembrou que no perfil anterior o balanço de pagamentos tinha maior peso dos juros e que, com a economia em expansão ou não, essa despesa existia e era preciso pagar o compromisso. Hoje, ao contrário, se a economia se desacelera, a lucratividade tende a cair, o que diminui as remessas e, conseqüentemente, o déficit em conta corrente. "Essa estrutura do balanço de pagamentos é positiva e financiável", disse.  Outro ponto positivo da atual estrutura diz respeito ao comércio exterior. Altamir lembrou que uma eventual desaceleração da economia também repercute no ritmo das importações, outro fator que explica a deterioração recente das contas externas. Sobre a compra de bens e serviços de outros países, Altamir acredita que deve acontecer uma desaceleração no médio prazo. Isso acontece, segundo ele, porque a base de comparação será maior e a taxa de crescimento tende a diminuir.

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