Remessa de lucros foi surpresa negativa, diz Bradesco

As remessas de lucros e dividendos feitas por empresas estrangeiras com sede no Brasil, que atingiram US$ 5,109 bilhões em agosto, foram a grande surpresa negativa nas transações correntes para o Bradesco. É o que afirmam, em relatório, economistas do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do banco. "Os setores financeiro, automobilístico e de bebidas foram os que mais remeteram", diz o texto.

MARIA REGINA SILVA, Agencia Estado

23 de setembro de 2011 | 17h32

Em setembro até hoje, no entanto, o montante já mostra alguma acomodação, com as remessas de lucros e dividendos somando US$ 1,023 bilhão, conforme divulgou o Banco Central (BC). "De qualquer forma, os dados parciais para as remessas de lucros (referentes até 23 de setembro) são mais tranquilizadores, pois mostram uma saída bastante moderada de pagamentos de lucros e dividendos no período mais recente", acrescentaram, no relatório, os economistas Octavio de Barros, Marcelo Cirne de Toledo e Fernando Honorato Barbosa.

Hoje o Banco Central informou que o déficit de transações correntes no Brasil ficou em US$ 4,862 bilhões em agosto. O resultado negativo ficou acima das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam um déficit entre US$ 2,200 bilhões e US$ 4,300 bilhões, com mediana negativa em US$ 2,800 bilhões - o mesmo valor esperado pelo Bradesco.

Já do lado positivo, o relatório destaca os investimentos estrangeiros diretos (IED) que somaram US$ 5,606 bilhões em agosto, acima do previsto pelo Bradesco, US$ 4,300 bilhões. "A entrada de IED se manteve como a principal fonte de financiamento desse déficit em conta corrente."

Os economistas observam que, em agosto, o IED se deu de maneira mais disseminada, ainda que haja concentração de algumas operações no segmento de produtos alimentícios, químicos, comércio e atividades imobiliárias

Daqui para frente, o Bradesco estima que os investimentos estrangeiros diretos continuarão favoráveis, "ainda que registremos alguma moderação nos próximos meses." "O déficit em conta corrente, por sua vez, deverá continuar sendo financiado pelo IED, fechando o ano de 2011 praticamente estável como proporção do PIB em relação ao encerramento de 2010", escreveram. No ano passado, a conta de transações correntes do Brasil encerrou com déficit de US$ 47,518 bilhões, o equivalente a 2,28% do Produto Interno Bruto (PIB).

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