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Remessa de migrante estrangeiro cresce 48%

Já o envio de recursos por brasileiros no exterior caiu 9,2% desde janeiro

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2009 | 00h00

Para os milhares de estrangeiros que vivem no Brasil, a crise acabou. Dados do Banco Central mostram que as remessas feitas por esses trabalhadores às suas famílias no exterior já voltaram ao patamar de antes do estouro da crise. Na comparação com janeiro, o envio de dólares saltou 48,4% em junho. No mesmo período, a entrada de dinheiro enviado por brasileiros que estão em outros países caiu 9,2%. Isso fez com que a cada US$ 3 que entram pelas remessas de brasileiros, US$ 1 sai transferido pelos imigrantes. Segundo o BC, estrangeiros enviaram US$ 57 milhões em remessas para a manutenção da família no exterior em junho, o dado mais atualizado até agora. O valor é praticamente o mesmo registrado em agosto de 2008, antes do agravamento da crise, quando somou apenas US$ 400 mil a mais.Os números mostram que esse grupo de trabalhadores - composto por várias etnias, como os bolivianos, chineses e sul-coreanos - enviou US$ 1,9 milhão por dia ou US$ 79 mil por hora às famílias em junho.O aumento das transferências tem duas explicações. A primeira está diretamente ligada à reação da economia brasileira, que aumenta a demanda pela mão de obra e, por consequência, eleva o rendimento desses trabalhadores. "Geralmente, os empregos menos qualificados se recuperam mais rapidamente quando há reação da economia. É nesse segmento que estão, em número, mais estrangeiros", afirma o professor do Centro de Estudos Sindicais e da Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Anselmo Luis dos Santos. Boa parte dos imigrantes que enviam remessas todo mês aos outros países tem pouca qualificação, como os que trabalham na indústria de confecção no centro de São Paulo ou no comércio informal de produtos importados nas grandes cidades. Há, ainda, o fator cambial. Com a recente valorização do real, os salários no Brasil passaram a valer, comparativamente, mais dólares. No auge da crise, quando a moeda norte-americana rondava os R$ 2,50, a remessa de R$ 500 representava US$ 200. Agora, com a cotação próxima de R$ 1,80, o valor enviado é, em dólares, 38% maior, de US$ 277.O violinista romeno Adam Totan, 32 anos, costuma transferir recursos para a família e atualmente está juntando dinheiro para ajudar a mãe em um tratamento de saúde na Romênia. "Já teve um tempo em que era mais fácil juntar dinheiro e mandar, quando o câmbio mais favorável", diz o violinista, que trabalha na Orquestra Jazz Sinfônica e mora no Brasil desde novembro de 1998. Ele afirma que o sistema de transferência é simples, mas por conta das taxas, ele prefere esperar alguma viagem e levar o dinheiro pessoalmente. "A transferência é simples, o dinheiro chega rápido, mas tem muita taxa", afirma.Com o aumento das remessas para o exterior e sem reação relevante das transferências vindas dos Estados Unidos, Europa e Japão, o Brasil vive uma situação inédita. Atualmente, as transferências dos imigrantes já correspondem a 31% do ingresso de dólares enviados por brasileiros. Portanto, a cada US$ 3 que entram, US$ 1 é remetido para outros países. COLABOROU MARIANA BARBOSA

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