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Remessa inesperada eleva déficit a US$ 1,6 bi

Saldo negativo foi causado por envio de lucro e dividendo de montadora, elevação do déficit em viagens internacionais e importações de petróleo

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

O saldo negativo na conta corrente do balanço de pagamentos brasileiro triplicou em julho, na comparação com o mês anterior, fechando em US$ 1,67 bilhão, mostram dados divulgados ontem pelo Banco Central. A conta corrente registra todas as operações de comércio exterior, serviços e transferência de renda do Brasil com o exterior. O déficit foi o dobro do que esperava o BC. Apesar da aceleração do saldo negativo em relação a junho, o déficit foi mais baixo do que o verificado em julho de 2008, quando somou US$ 2,17 bilhões. De janeiro a julho, o saldo negativo na conta corrente é de US$ 8,74 bilhões, menos da metade do verificado em igual período de 2008. O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, salientou que boa parte do resultado negativo foi coberto pela entrada de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que somaram US$ 1,3 bilhão em julho. Segundo ele, o resultado pior do que o previsto no mês passado foi provocado, principalmente, pela remessa inesperada de lucros e dividendos de uma montadora, pela elevação do saldo negativo em viagens internacionais e um saldo da balança comercial abaixo do previsto por conta de importações de petróleo. Para agosto, o BC prevê um déficit semelhante ao de julho: US$ 1,6 bilhão. O ingresso de investimento externo deverá chegar a US$ 1,5 bilhão. Até ontem, haviam sido investidos US$ 1,4 bilhão no País. Altamir afirmou também que a recuperação da economia tende a provocar déficits mais fortes na conta corrente. Isso ocorre porque empresas multinacionais terão mais lucros, o que aumenta a transferência de dólares às sedes, e as famílias tendem a ter mais renda para comprar importados e viajar ao exterior. Esse processo já estaria ocorrendo. Ele apresentou comparações que mostram que, em diversos itens, o desempenho piorou de maio a julho, na comparação com o período de janeiro a abril. Dessa forma, o déficit em conta corrente, que de janeiro a abril apresentava queda de 63,9% ante igual período de 2008, de maio a julho recuou 31,3% ante igual período de 2008. "Isso mostra o crescimento do déficit na margem", explicou Altamir, que por ora mantém a previsão de saldo negativo de US$ 15 bilhões para a conta corrente em 2009. "A expectativa que se tem é de melhora na atividade econômica. E a tendência é que a partir disso se tenham resultados piores na conta corrente. Mas isso não preocupa e está dentro do esperado", afirmou. O estrategista-chefe do banco West LB, Roberto Padovani, afirma que a volta do crescimento econômico brasileiro antes da maioria dos países levará a um aumento do déficit externo. Mas para ele isso é um dado positivo, que mostra uma mudança estrutural na economia. Padovani lembra que nos anos 90 o déficit externo, por conta de uma grande dívida externa, acelerava nas crises. Agora, a situação externa melhora na crise e o déficit só acelera com o crescimento, o que permite ao País financiá-lo. "O déficit é absolutamente financiável pelo Investimento Direto e não causa preocupação de solvência da economia. Ainda que o resultado de julho tenha sido pior do que o esperado, a trajetória é tranquila pela frente. As contas externas não representam restrição ao crescimento."

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