Remessas de brasileiros no Japão caíram 60%

BRASÍLIA - A crise financeira que atingiu as principais economias mundiais obrigou muitos brasileiros a voltar ao País e, consequentemente, contribuiu para reduzir em 33% as remessas de dinheiro desses trabalhadores ao Brasil nos últimos cinco anos. Entre 2008 e 2011, o recuo se deu principalmente por causa dos Estados Unidos, origem da crise bancária desencadeada naquele ano. Nos últimos dois anos, no entanto, essas remessas voltaram a crescer. Já a ajuda financeira de trabalhadores que vivem no Japão continuou em queda e encolheu 60% em todo esse período, segundo dados do Banco Central.

Eduardo Cucolo, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2014 | 02h06

O governo japonês chegou a criar um programa de ajuda financeira para repatriar brasileiros, que ficaram proibidos de retornar àquele país até 2013. Com isso, o número de brasileiros no Japão caiu de cerca de 320 mil para menos de 190 mil, segundo estimativas das autoridades locais.

Esse quadro não deve mudar nos próximos anos, segundo o advogado e presidente do Centro de Informações e Apoio aos Trabalhadores no Exterior (Ciate), Masato Ninomiya. A expectativa é que o setor de construção civil demande mão de obra estrangeira por causa da Olimpíada de Tóquio, em 2020, mas há dúvidas se essa será uma boa oportunidade para brasileiros.

"As empresas lá não estão mais contratando quem não fala japonês. E esse segmento de mão de obra não qualificada passou para chineses, filipinos e vietnamitas, porque os salários diminuíram muito", diz Ninomiya. Segundo o advogado, ficou difícil encontrar salários de US$ 3 mil como havia até 2007. Hoje, a qualificação de muitos brasileiros permite encontrar apenas trabalho pelo salário mínimo japonês, de cerca de R$ 2 mil. "Por esse valor, muitos brasileiros preferem ficar por aqui", afirmou.

Queda. Os números do BC mostram que essa economia asiática respondeu no ano passado por 14% das remessas de brasileiros no exterior. No começo da década passada, a participação era de 40%. Em quase 20 anos, a ajuda financeira vinda desses trabalhadores caiu de US$ 935 milhões para US$ 281 milhões.

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