Remessas de expatriados são segunda fonte de países emergentes

As remessas dos trabalhadores migrantes que enviam parte de seus salários para casa já se tornaram a segunda fonte de financiamento de dívidas nos países em desenvolvimento, superando as captações privadas. A conclusão é do relatório Global Development Finance, do Banco Mundial (Bird), divulgado hoje. O autor do estudo, Philip Suttle, afirma que a substituição das captações privadas pelas remessas é uma boa notícia. Como a queda abrupta nas fontes privadas de crédito foi a grande responsável pelas graves crises iniciadas em 1997 na Ásia, que atingiram a América Latina em 2001 e 2002, as remessas dos trabalhadores tendem a promover um ambiente econômico menos volátil. Uma parte significativa das remessas de trabalhadores se transforma em investimentos.O estudo mostra dados semelhantes ao de outros divulgados recentemente. Sem detalhes sobre BrasilEsse estudo não detalha os números referentes ao Brasil. Mas em 2001, segundo o Banco Mundial, as remessas de trabalhadores para o Brasil somaram US$ 1,5 bilhão, de um total de US$ 72,3 bilhões enviados aos países em desenvolvimento. O Brasil ocupa a 15ª posição na lista dos principais recipientes.Índia, com US$ 10 bilhões, e México, com US$ 9,9 bilhões, lideram a lista. Os Estados Unidos (US$ 28,4 bilhões) e a Arábia Saudita (US$ 15,1 bilhões) são as principais fontes de remessas de trabalhadores, seguidos por Alemanha (US$ 8,2 bilhões), Bélgica (US$ 8,1 bilhões) e Suíça (US$ 8,1 bilhões), segundo dados de 2001. Em 2002, as remessas cresceram para US$ 80 bilhões. Em 1998, eram US$ 60 bilhões.O Brasil também forneceu o case para o estudo mostra que as remessas de trabalhadores ssão utilizadas até mesmo como colaterais de operações de captação. Em uma emissão de US$ 300 milhões do Banco do Brasil, de agosto de 2001, os colaterais foram futuras remissões em ienes dos trabalhadores brasileiros no Japão. ?Os termos desses bônus foram significantemente mais generosos do que os disponíveis nas emissões soberanas?, afirma Dilip Ratha, autor do capítulo do relatório sobre emissões como fonte estável de financiamento. Fonte mais estável O estudo destaca que as remessas têm chances muitos menores menor de sofrer quedas abruptas ou altas eufóricas, como acontece com o fluxo dos investimentos de portfólio nos mercados emergentes. A expectativa, inclusive, é de que elas cresçam significantemente no longo prazo, com a flexibilidade no mercado de trabalho e a recuperação econômica no países do G7.?As remessas tendem a permanecer estáveis mesmo quando há desaceleração econômica nos países-fonte?, diz Ratha. O Investimento Direto Estrangeiro (IDE) continua a ser a principal financiadora de dívidas externas, embora venha recuando das alturas nos últimos anos. Em 1999, por exemplo, atingiu US$ 170 bilhões. Em 2002, estava em US$ 143 bilhões.Suttle aposta que a redução verificada desde 1992 nas captações privadas vai continuar por um longo período, o que justifica um certo ?otimismo cauteloso, no futuro, de menor volatilidade nos fluxos de capital para os países em desenvolvimento?, provocado pelo aumento das remessas.

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