Remessas de lucros batem recorde

Déficit das contas externas foi de US$ 5,4 bi em outubro, puxado pelo envio de recursos para o exterior, importações e gastos de turistas

CÉLIA FROUFE, ADRIANA FERNANDES/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h18

O saldo das transações comerciais e financeiras do Brasil com o resto do mundo fechou no vermelho em outubro. O déficit das contas externas atingiu US$ 5,4 bilhões, o segundo maior do ano.

Para o Banco Central, a piora pode ser sinal da retomada da economia, por causa do aumento das remessas de lucros e dividendos de empresas no Brasil para as sedes no exterior.

Segundo o BC, o aumento em 51% das remessas de lucros e dividendos, um dos elementos que contribuíram para a ampliação do déficit no mês passado, reflete uma melhora da produção. Os gastos com viagens internacionais e o aumento das importações também ajudam a explicar o déficit.

"O ritmo de atividade, a lucratividade das empresas e a depreciação do câmbio impactam as remessas", disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha. Ele disse também que o resultado do mês passado pode ser um ponto de inflexão em relação aos resultados dos meses anteriores, mas que é preciso aguardar os dados do fim do ano.

Em outubro, as remessas de lucros e dividendos atingiram US$ 2,4 bilhões, o maior volume de todos os tempos para meses de outubro desde a década de 40, quando o BC começou a compilar os dados. As parciais até 20 de novembro somam pouco mais de US$ 1 bilhão. Rocha explicou que, apesar de ainda parecer fraco, esse número tende a subir até o fim do mês porque é nesse período que o envio de recursos ao exterior é concentrado. "O resultado de novembro pode se assemelhar às maiores remessas do ano", disse. Essas remessas recordes ficaram em torno de US$ 2,5 bilhões.

Viagens. O aumento dos gastos de brasileiros com viagens ao exterior também é visto como outra indicação de retomada da economia. No mês passado, os gastos chegaram a US$ 1,5 bilhão, 26% a mais do que em outubro de 2011. "São sinais que corroboram a avaliação do Banco Central de que a atividade vem se recuperando", disse Rocha.

O terceiro ponto citado pelo técnico do BC para explicar o rombo nas contas externas foi o fraco saldo comercial, resultado do aumento das importações.

Rocha disse ainda que as contas externas foram pressionadas pelo aumento das despesas com serviços, que fecharam negativas em US$ 4 bilhões, o pior resultado da série do BC. Ele destacou os gastos com aluguel de equipamentos, que vêm apresentando altas constantes, e a conta de transportes.

Investimentos. As contas do setor externo também revelaram que os estrangeiros aumentaram o apetite em aplicar no Brasil. Os investimentos no setor produtivo atingiram US$ 7,7 bilhões e superaram as expectativas do BC de que o saldo seria de US$ 6 bilhões. Com o resultado, Rocha vê a possibilidade de o Brasil fechar o ano com um volume de investimento produtivo superior à previsão oficial do BC, de US$ 60 bilhões.

É esse investimento que cobre, com folga, o déficit da conta corrente brasileira e a expectativa para o futuro é positiva, de acordo com Rocha.

Segundo ele, o Brasil deve atrair mais recursos porque terá nova rodada de concessões em infraestrutura, tem crescido mais do que as economias dos países desenvolvidos e tem pela frente megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016.

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